Crônicas

Cidadão Goiano
Arnaldo Niskier



Numa semana rica de emoções, recebi, na  Assembleia Legislativa, o título de “Cidadão Goiano”.  Fui homenageado com uma bonita e bem escrita  mensagem do governador Marconi Perillo e a presença de um grande número de parlamentares e magistrados desse importante estado do centro do país.
Tudo obra desse amigo impecável que é o poeta Gabriel Nascente, competente  membro das letras goianas, que se pode representar também pela lembrança do que significam Bernardo Elis e Cora Coralina, na cultura brasileira.
 
Ao agradecer, lembrei o convívio mantido na revista Manchete com o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.  Ele era um entusiasta do cerrado e de suas riquezas.  Falava muito da fazenda adquirida em Luziânia e dos bons momentos ali vividos, longe das agruras e decepções da política, inclusive da injusta cassação que lhe foi imposta só porque tivera a ousadia de revelar o seu legítimo desejo de voltar à presidência da república, em 1965.  Nessas lembranças tinha sempre a solidariedade do amigo-irmão Adolpho Bloch e de nós todos que trabalhávamos na saudosa Manchete.
 
Na sua mensagem ao homenageado, o governador Marconi Perillo afirmou: “Sólida é a sua trajetória de luta pela educação no Brasil.  Niskier é, antes de mais nada, um mestre de mestres.  Um  professor e um pensador da pedagogia, que traz no sangue o amor pelos livros e seus antepassados, e que se dedica a difundi-los e expandi-los para todos que precisam.”
Ao falar na Assembleia Legislativa de Goiás, no jornal “Diário da Manhã” e depois no Tribunal de Justiça, recordei que a história do Estado remonta ao início do século XVIII, com a chegada dos bandeirantes vindos de São Paulo, atraídos pelas minas de ouro.  Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, liderou a primeira bandeira com o objetivo de fixar no território, a partir da região do Rio Vermelho, onde se fundou Vila Boa, depois Cidade de Goiás, capital durante 200 anos.  O desenvolvimento do estado intensificou-se a partir da  mudança da capital para Goiânia, na década de 1930, e com a construção de Brasília, inaugurada em 1960.
 
Em todos os tempos, uma das mais notáveis riquezas de Goiás foi a  presença de extraordinárias bacias hidrográficas na região.
Do ponto de vista da literatura, os primeiros livros escritos por goianos datam do século XVIII, com os escritores Bartolomeu Antônio Cordovil, Luís Antônio da Silva e Souza, Luís Maria da Silva Pinto, Florêncio Antônio da Fonseca, Grostom e diversos cronistas como o Marechal Raimundo José da Cunha Matos.
 
Conforme o crítico literário e acadêmico Afrânio Coutinho, o modernismo chegou a Goiás através do livro de versos “Ontem”, de  Leo Lynce e hoje tem a presença da poesia inspirada de Gilberto Mendonça Telles, que vive no Rio de Janeiro, mas guarda sempre as lembranças da sua vida em Goiás.  Ele está presente na relação dos melhores autores de Goiás, cuja lista tem a liderança ainda hoje de Bernardo Élis.
 
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