Crônicas

Intervenção e educação
Arnaldo Niskier

Seria uma covardia inominável fugir ao debate sobre a situação de violência em que se encontra o Rio de Janeiro. Nos últimos tempos não há bairro livre da ação de bandidos, naturalmente estimulados pelos exemplos que vêm de cima, como demonstra a operação Lava-Jato. Por isso mesmo, a nossa experiência de mais de 60 anos de atividades na educação nos leva a acrescentar alguns comentários à decisão presidencial de decretar a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, com o prazo limitado até 31 de dezembro de 2018. Será que é suficiente para obter resultados favoráveis?
 
Que era preciso fazer alguma coisa, não há a menor dúvida. O próprio governador entregou os pontos, afirmando publicamente que não tinha mais condições de liderar a sua própria Secretaria de Segurança. Restou o recurso extremo ao governo federal. Será dura a tarefa do general do exército Braga Netto, com quem ficou a responsabilidade de restabelecer na plenitude o emprego da lei e da ordem em nosso Estado.
 
A nossa contribuição é muito clara. Pensem na prioridade da educação em todo esse processo. Sem a maior das nossas prioridades aí mesmo é que os resultados serão pífios. Ou alguém tem dúvida de que os países desenvolvidos do mundo de hoje começaram os seus projetos pela prioridade efetiva no trato da educação? Se não quiserem pensar muito, fica aqui o exemplo do Japão, que visitamos três vezes, depois da Guerra, para sentir de perto a forma pela qual a nação quase destruída por duas bombas atômicas se recuperou e atingiu a liderança da modernidade. Educação, educação, educação.
 
Claro que tudo começa com um bom planejamento, como prometeu o interventor do Rio de Janeiro, para seguir o raciocínio com a convicção de que, sem recursos financeiros, restará muito pouco a fazer. Recursos que permitam dignificar a carreira do magistério, com salários compatíveis, além do necessário e inadiável aperfeiçoamento da própria escola. Precisamos de um novo modelo para enfrentar a crise em que nos debatemos. Com as barbaridades cometidas na Petrobras o governo do RJ foi sacrificado, financeiramente, e os resultados são nítidos. É preciso reparar essa situação, no menor tempo possível, e isso depende fundamentalmente das ações do governo federal.
Outro fato com o qual não se pode compactuar: o atraso nos salários dos servidores públicos. Nunca tivemos uma situação sequer parecida com a dos tempos recentes, com salários atrasados três meses e ainda o descaso com o pagamento devido do 13o salário. Isso desrespeita, do ponto de vista humano e profissional, aqueles que deram a vida para servir ao Estado, enfrentando assaltos, arrastões e outras sequelas da nossa atualidade. Não se pode duvidar do relevo da missão confiada à competência e coragem do general Braga Netto. O nosso desejo é que ele seja plenamente feliz.
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