Depoimentos

Antonio Marques da Rocha Olinto



Só a educação fará o país assumir seu papel na História Ao falar de Arnaldo Niskier e de sua “ação cultural”, disse Antonio Olinto: “Trata-se de um lutador incansável, com ênfase no magistério, pois o gravíssimo problema deste nosso país está relacionado com a educação. Os governos ainda não encontraram meios de tirar, segundo as estatísticas, os 20 milhões de pessoas que estão submersas nas trevas do analfabetismo. “Temos em Arnaldo um lutador permanente, desde que o conheço, batendo-se para melhorar esse setor, pois muito pouca gente se preocupa com isso, essa é a dolorosa verdade. Nem o exemplo do Japão e da China inspira-nos a seguir pelo mesmo caminho. Há uns 20 anos esses países decidiram investir no processo educativo completo, que inclui a pesquisa, e os resultados são conhecidos. Eles estão lá em cima, ombreando-se com as nações mais desenvolvidas do planeta, nós permanecemos na estagnação. Sem educação, completa, este nosso Brasil não vai pra frente.  “Vale lembrar que, hoje, a China forma 200 mil engenheiros por ano. E nós? Como crescer se nossa educação é precária? Não adianta que presidentes e ministros prometam fazer, se de forma objetiva nada acontece. Vai daí que temos esse grande número de analfabetos a entravar nosso almejado progresso. Enquanto isso, a grande massa de iletrados está condenada à ‘escravidão da ignorância’.  “Em meio a isso, a essa situação calamitosa, o Arnaldo é uma figura singular, um herói que há anos tenta reverter essa política do absurdo. Merece uma biografia, por que este livro, dando destaque a seu empenho em defesa do processo educativo, também mostrará que todos nós, indistintamente, devemos lutar para melhorar o sistema educativo e não esperar pelas decisões governamentais, pois através dos anos e dos governos nada nesse sentido aconteceu. “Conheço Arnaldo Niskier desde 1951 ou 52. Mais de meio século. Ambos desenvolvíamos nossas atividades na imprensa: eu no jornal O Globo, onde assinava uma coluna diária de informação e crítica literária, com o título ‘Porta de Livraria’, ele na revista Manchete, onde foi repórter, chefe de reportagem e diretor das publicações que o Grupo Bloch editava. Eu lutava em defesa da literatura, ele incumbia-se de fazer com que as revistas Bloch fossem cada vez mais lidas, ou seja, era a maneira de transmitir conhecimentos e mostrar que todo aquele que sabe ler vive em um mundo melhor; deixa de ser ‘escravo da ignorância’.  “O Arnaldo tem grande experiência de vida e lastro cultural, por ser um estudioso compulsivo. Já foi secretário de Educação em três governos diferentes, no Rio de Janeiro, já escreveu inúmeros livros, é um educador consciente de seu trabalho. Sabe, mais que ninguém, que a educação é básica. Sem ela não valemos nada. Tolos são aqueles que imaginam ir pra frente com esse tipo de política que temos. Nas atuais circunstâncias o país não sairá do lugar porque o peso negativo dos analfabetos que formam gigantesco exército de incapazes não permitirá, além de constituir um dos problemas geradores da violência. “Por isso tudo que acabo de dizer, defino Arnaldo Niskier, dando destaque ao seu lado de humanista, como um cidadão admirável, pois sendo de uma família que fugiu da perseguição nazista, na Europa, tem lutado para que possamos construir um país melhor. Mas para que isso aconteça, é necessária uma séria política de educação, a fim de que as pessoas tenham consciência e se orgulhem de seus valores.  “Tendo passado boa parte da infância, praticamente numa favela, tal a pobreza que era viver no subúrbio de Pilares, foi pelos estudos que se transformou nesse herói do nosso ensino e da nossa cultura. E seu trabalho é constante, sem qualquer tipo de esmorecimento, pois está sempre escrevendo, dando aulas, pronunciando palestras, tudo isso para contribuir na popularização da nossa desprestigiada educação. Há mais de 10 anos tenho o prazer de editar com ele o notável Jornal de Letras, que fizemos ressurgir.  “Arnaldo é daqueles – e eu me incluo como integrante do pequeno grupo – que não acredita possa o Brasil crescer sozinho; como está, somente os abastados têm vida farta. A grande massa vegeta na ‘escravidão da ignorância’. “Com relação ao autor desta biografia, gostaria de dizer que, também, veio de baixo, como se costuma dizer. Estudou, pelo que sei, em meio ao sofrimento, a fim de tornar-se um escritor. Por isso, estou certo, escolheu o Arnaldo Niskier como personagem do seu estudo, por tratar-se, repito, de um ser humano exemplar. Além disso, o biógrafo de Niskier é homem com experiência no cinema e na televisão, sabe muito bem da importância desse judeu-carioca no nosso processo cultural. Procurar entender meu companheiro de jornalismo e de Academia é valorizar aquele que tem lutado, esses anos todos, pelo desenvolvimento cultural, incluindo-se aí a pesquisa e a tecnologia que tanto o preocupa.”

  • Twitter - Arnaldo Niskier