Palestra - V Congresso Corporativo Internacional sobre Liderança e Gestão do Capital Humano - Rio/Centro de Convenções do Sistema FIRJAN - Arnaldo Niskier

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2009.

O líder nasce líder? Um líder pode ser fabricado? Treina-se um líder? A liderança é inata? Pode-se dizer que alguém é um líder nato? Essas e muitas outras perguntas são feitas com frequência.
Sabe-se que todos os questionamentos podem ser respondidos com um sim.
Entretanto, nos preocupamos com as pessoas ditas portadoras de altas habilidades, antigamente nomeadas de superdotadas e que aqui, entre nós, não recebem um direcionamento adequado e fazem parte daqueles líderes inatos. Há exemplos altamente negativos de pessoas que, por falta de orientação e atendimento através de serviços especializados, desviaram-se do caminho. Lembro-me de Lúcio Flávio, caso amplamente divulgado por tratar-se de pessoa com QI (quando ainda se valorizava aquele tipo de teste) altíssimo e talvez por falta de educação específica transformou-se num facínora considerado irrecuperável, chegando à morte, baleado pela polícia. Outros casos semelhantes também se tornaram notícia, como é exemplo o Escadinha. Não se pode discutir a importância da liderança – ela é fundamental para o aperfeiçoamento da gestão do capital humano. Quando me refiro à gestão é claro que penso na gestão democrática.

A boa gestão é fundamental no planejamento, na implantação e na implementação de ações voltadas ao desenvolvimento dos processos sociopolíticos das instituições, especialmente as ações direcionadas à promoção da melhoria dos recursos humanos. O fato de determinadas práticas serem utilizadas por muitos gestores, durante muito tempo, não constitui garantia de que sejam de qualidade. É preciso investigá-las e questioná-las, para manter o movimento da prática para a teoria e vice-versa, uma vez que a profissionalização é um compromisso que, assumido em contexto político-social amplo, exige qualificação técnico-científica. O processo de profissionalização da gestão precisa ser visto na formação inicial e continuada, sempre sendo invocada a relação entre a teoria e a prática.

Os gestores têm a função de acompanhar, de monitorar e de avaliar o desempenho do profissional, colocando-o a par da repercussão da sua produção. Isto deve ocorrer a partir da visão de que o dia a dia é um espaço de práticas voltadas para a promoção permanente das pessoas, para socialização e inserção no mundo do trabalho. Para avaliar o modo de atuação de cada uma das pessoas com quem trabalha, o gestor deve verificar se foram investigados os indicadores das ações de participação direta e indireta dos principais sujeitos envolvidos no trabalho, apontando os caminhos experimentados na busca do maior envolvimento de todos no processo. A gestão democrática deve desenvolver uma característica de atuação que pretende organizar, mobilizar e articular condições materiais e humanas necessárias para o avanço dos processos. Não se pode negligenciar, também, do aspecto educacional, pois onde está o ser humano estará sempre a educação. Tais ações devem ser direcionadas para a promoção das pessoas com o objetivo de torná-las capazes de enfrentar dignamente as nuances da sociedade globalizada e do mundo pós-moderno.


No caso do gestor educacional, ainda reconhecido como “diretor ou diretora da escola”, é um trabalho diferente por ser tanto instituição (colégio) quanto clientes (alunos), permeados por funcionários (professores, inspetores, merendeiras, serventes, etc.) totalmente diferentes dos demais das empresas em geral, com características específicas, que obrigam, primeiramente, o gestor a um “corpo a corpo” com todos aqueles que compõem o seu grupo. É um trabalho conjunto que precisa ser altamente democrático, partindo do contexto social, em que a escola está inserida. Jamais um diretor poderá desconhecer a realidade de sua escola, querendo impor projetos que considere factíveis, sem ouvir a comunidade escolar. Só assim o gestor terá sucesso em qualquer planejamento que quiser elaborar e implantar, sabendo, inclusive, que qualquer planejamento é passível de modificações, desde que durante o seu desenvolvimento haja necessidade de reformulações. Daí a importância de uma avaliação contínua e somatória durante o período em que o processo se desenvolve.
Aspecto altamente relevante é a formação do gestor. Não deve ser egresso somente de sala de aula, sem dúvida, um ponto importante. Precisa ter habilitação em Administração Escolar e Pedagogia. Precisa conhecer desde a confecção da merenda à elaboração dos currículos e domínio das turmas, sem esquecer as tarefas burocráticas. Afinal, é o supervisor maior de uma escola, sem deixar de ser também conselheiro. O significado de gestão vai muito além da mobilização de sujeitos, pois implica intencionalidade, definição de metas e posicionamento frente aos objetivos sociais e políticos de uma sociedade complexa. Tal particularidade destaca a ação significativa do homem na gestão de qualquer processo: elementos como a participação, o diálogo coletivo e a autonomia são práticas que pressupõem uma gestão democrática e consequentemente uma administração coerente e planejada. Assim, será possível alcançar o sucesso corporativo.

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