Crônicas

  • Telas em excesso
    Arnaldo Niskier - 2021-07-02



    Em “O Globo” de 3 de janeiro, a repórter Márcia Disitzer analisou de forma bastante competente o último livro da psicanalista Sandra Niskier Flanzer, intitulado “Jovens em tempos digitais”, editado numa parceria Uniciee/Consultor. É o resultado de uma experiência de 30 anos, em que a autora atendeu dezenas de crianças, adolescentes e jovens em seu consultório de Ipanema. Mas a cereja do bolo foi o trabalho no Centro de Integração Empresa- Escola do Rio e de São Paulo, quando faz a interseção entre os jovens de periferias que saem do ensino médio e vivem a sua primeira experiência de trabalho.

    O uso excessivo de ferramentas tecnológicas traz consequências psicológicas, como ansiedade, aumento de casos de automutilação e até mesmo ideias suicidas, além de insônia e dificuldades de socialização. A hiperconectividade é uma consequência da pandemia. “Passar cinco horas nas telas é um exagero evidente”, afirma a autora.

    Isso pode ocorrer em todas as idades, mas os jovens são mais vulneráveis. “Vem ao encontro do anseio juvenil por pertencimento e identidade”. É aí que entra a ação de pais e professoras.

    O uso abusivo de dispositivos digitais reforça demais um lado. “Engrandecemos o ego em detrimento do real e do simbólico.”

    Devemos trabalhar adequadamente a noção de tempo, causada pela popularização de aplicativos na troca de mensagens instantâneas. Diz ela: “Entender o espaço, os intervalos, estabelece uma determinada relação com o mundo.” Se não se faz isso de forma adequada, pode nascer a indesejada ansiedade.

    Estamos diante de fenômenos que sacrificam especialmente os jovens entre 10 e 14 anos de idade. São os viciados em jogos eletrônicos. Eles enfraquecem, por falta de treino, os exercícios básicos de civilização. “A quantidade de uso tem relação com a questão de adicção.”

    Diante do que está acontecendo, temos uma grande quantidade de pais desesperados, sem saber para que lado caminhar. É preciso orientá-los, nesse momento difícil, agravado pela existência de uma resistente pandemia.

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