A Tijuca dos meus sonhos
Arnaldo Niskier
Nasci no bairro de Pilares (rua Fernão Cardim). Por isso, alguns amigos me chamam de “caprichoso de Pilares”. Tenho orgulho disso. Depois, fui morar no bairro de Riachuelo (rua Filgueiras Lima). Estudei as primeiras letras no Grupo Escolar Canadá, na rua 24 de Maio. Ainda garoto, acompanhei meu pai a São Paulo, nos anos 44 e 45, quando ele foi tentar a vida, em busca de melhores condições de sobrevivência. Mas não deu certo, a não ser os dois bons anos no Grupo Escolar Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, quando fui aluno das professoras Rosa e Irma.
Mas nada deu certo na capital paulista. Inclusive com o sofrimento do frio, que me trouxe um reumatismo brabo. Em 1946, o meu pai voltou ao Rio, mais particularmente para o simpático bairro da Tijuca, na Rua Hadock Lobo, nº 290 apt. 503, local alugado pelo meu irmão Odilon da dona Nazir. Senti a alegria de me sentir feliz, naquele lugar. O meu prédio ficava quase na esquina da rua Campos Sales, onde se situava o campo do América Futebol Club, que passei a frequentar com assiduidade. Nos idos de 1946, aprendi a fazer um atraente jogo de botões. Era torcedor do Fluminense. Brigava na escola em defesa do time tricolor. No super-campeonato de 46, o time treinado por Gentil Cardoso foi campeão “com a famosa frase: “Dêem-me o Ademir Menezes e eu lhes trarei o campeonato”. Foi exatamente o que aconteceu, com um time que ficou célebre e que dava nome aos meus botões: Robertinho, Gualter e Haroldo; Pascoal, Telesca e Bigode; Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues”. Anos depois, sem culpa, me tornei torcedor do América.
Lá, levado pelo meu amigo Paulo Fabião, passei a nadar no clube rubro, na sua piscina de 20 metros. Em dois anos de intensas atividades, ganhei 56 medalhas de natação, na modalidade de nado livre. Tinha um prazer imenso de exercer essas atividades, mesmo no inverno, quando o frio não era para brincadeira. Não podia faltar aos treinos, pois significava atraso nas competições, que abrangiam as olimpíadas do clube e disputas nas piscinas de outros clubes, como o Fluminense, o Vasco, o Flamengo, o Santa Teresa e outros mais. Foi uma atividade que exerci com muito prazer.
Quando sofri uma otite severa, por ordem médica, desisti na natação e passei a me entregar a esportes terrestres, como basket, o voleibol e o futebol (de campo e de salão). Dos 15 aos 18 anos, disputei três campeonatos juvenis de basket, sob os cuidados do treinador Roberto Renato de Castro (Rob), irmão de outro amigo de infância que foi o George Renato de Castro. Fui efetivo da equipe juvenil, disputando os campeonatos cariocas em defesa do América Futebol Clube. Ao mesmo tempo, disputei um campeonato carioca de voleibol e jogava futebol na equipe infanto-juvenil do clube.