Crônicas

A Escola mais antigas do Rio
Arnaldo Niskier

 

Quando Cláudia Costin inaugurou a Escola Moacyr Scliar, em Inhoaíba, a rede municipal do Rio  alcançou o impressionante número de 1.068 unidades.  Bateu-me a curiosidade de saber como isso tudo começou.  Graças à minha amiga  Maria Eugênia Stein, tive a agradável surpresa de saber que a escola mais antiga do Rio, que se encontra em funcionamento, no Campo de São Cristovão, tem o nome de Escola Municipal Gonçalves Dias – e foi originalmente construída por iniciativa da Associação Comercial do Estado do Rio de janeiro.
 
Em 1870, quiseram prestar uma homenagem ao imperador D. Pedro II.  Inclusive entregando-lhe alguns trocados para a sua sobrevivência.  Homem de caráter, recusou todas as oferendas e sugeriu que as doações dos comerciários, que eram bastante generosos, deveriam se transformar na aplicação à edificação de escolas para a instrução primária, como se dizia na época.
 
No dia 21 de dezembro, como está na ata da ACERJ, “Sua Majestade o Imperador se dignou lançar a pedra fundamental de um edifício destinado a escolas públicas de ambos os sexos na Freguesia de São Cristovão, no terreno para esse fim adquirido na Praça de D.Pedro I.”  A ata é conclusiva: “E assim o Comércio do Rio de Janeiro  terá a glória de haver pertuado as vitórias  brasileiras (na Guerra do Paraguai) com um ato de filantropia e caridade.”
 
Bons tempos, afirmou-nos o atual presidente da Associação Comercial, empresário Antenor Barros Leal, que sente muito orgulho desses princípios da sua secular entidade.  Pretende, por isso mesmo, dar sequência a esse tipo de preocupação com a educação fluminense, como, aliás, já vinha fazendo durante os anos em que presidiu,  de maneira eficiente  e dedicada , o  Centro de  Integração Empresa-Escola.
 
O mais antigo prédio público de educação fundamental em funcionamento no Rio de Janeiro é  produto das chamadas “Escolas do Imperador” erguidas durante a fase final do reinado de 49 anos do imperador D. Pedro II, a partir do emblemático episódio, após o fim da Guerra do Paraguai (1870), em que ele recusou os festejos e a estátua equestre com que gostaria de lhe homenagear.  Assim foram construídas oito unidades escolares, até 1877, que se considera o marco inicial da futura rede municipal, responsável, naqueles tempos instáveis, pela formação dos jovens que viveriam a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, na sociedade brasileira.  Esses fatos devem ser sempre lembrados.
 
 Na fachada da  escola encontra-se gravada a seguinte frase: “1872 – Escola S. Christovão, edificada pelo Commercio da Corte.”  No auditório, uma outra placa histórica dá o nome da diretoria da Associação Comercial, autora da iniciativa: J.J. de Lima e Silva Sobrinho, Dr. Caetano Furquim de Almeida, José Machado Coelho, Conde de S. Mamede, J. Ribeiro Gasparinho, Alfredo Mac Kinnell, João Hollocombe, Augusto Lehercy, A. Schmolle, C. Guilherme Gross, Luiz A. Prytz, D. Antonio de Aranaga, Carlos J. Harrah, D. José Frias, L. Laureys e J.A. da Fonseca Lessa.  São nomes que merecem todo o nosso respeito, a  partir do primeiro, que era o presidente da Associação Comercial, na época.
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