Crônicas

Paraíba fonte de inspiração
Arnaldo Niskier

 

A pretexto da comemoração dos 60 anos de criação do “Correio das Artes”, suplemento literário do jornal “A União”, um dos três diários mais antigos em circulação no país, estivemos em João Pessoa, a bonita capital da Paraíba. Numa sessão histórica, na espaçosa casa em que morou o acadêmico José Américo de Almeida, hoje transformada em museu, ouvimos de autoridades do Estado o que se está fazendo pela cultura – e não é pouco.
 
Contou o governador José Maranhão sobre o seu empenho pela interiorização da cultura, com o projeto Interarte, a que se somou a informação do escritor e jornalista Nelson Coelho sobre os diversos concursos literários em execução: contos, poesias e textos sobre alguns dos maiores nomes da literatura paraibana, como Ariano Suassuna, Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rego e Paulo Pontes. Sobre este último, recordamos as magníficas letras feitas, em parceria com Chico Buarque de Hollanda, para o musical “O homem de la Mancha”, no Teatro Adolpho Bloch. O maior sucesso, depois gravado por Maria Betânia, foi “O sonho impossível”, uma letra de grande significado cultural. “Lutar sem temer, na busca de um ideal.”
 
Com esse espírito, na Paraíba, busca-se valorizar os repentistas, os jovens tocadores de zabumba (orquestra Tamborete), artistas e escritores que parecem brotar, com muita força, naquela terra abençoada. O acadêmico Murilo Mello Filho falou muito sobre esse fenômeno, no seu discurso entusiasmado, enquanto procuramos, de nossa parte, exaltar o quanto tem sido importante a existência do premiado “Correio das Artes”, fundado por Edson Régis, e que hoje é uma importante ferramenta de trabalho para alunos e professores, sobretudo da rede pública de ensino.
 
Em sessão plenária, na Academia Brasileira de Letras, demos conta de todo esse movimento. Houve uma reação extremamente favorável dos imortais, pois o propósito da Casa de Machado de Assis é mesmo o de incentivar essas atividades em todo o país, para que a cultura não seja privilégio dos que vivem nos grandes centros urbanos. Não é desejável o nosso “ilhamento cultural”. Por isso, a existência mensal do “Correio das Artes”, já um órgão sexagenário, deve ser mesmo saudada, com a cobertura que dá ao pensamento de autores nacionais, como Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Mauro Mota, Pereira da Silva, Manuel Bandeira, Lyra Tavares, Câmara Cascudo, João Lyra Filho, além dos já citados autores que foram incluídos no concurso de redação referido.
 
Devemos fazer menção especial à Antologia dos Poetas. Tem a nossa particular admiração, pois valoriza a nova geração de autores, que normalmente tem grande dificuldade de se fazer ouvir. A edição desses trabalhos é um incentivo de primeira ordem – e assim se pode tomar conhecimento de verdadeiras revelações literárias.
 
Ao lado desse fato, deve-se igualmente louvar a qualidade de grandes pintores paraibanos que deixam de ser locais, para brilhar até internacionalmente. É o caso de Flávio Tavares, autor de painéis memoráveis, muitos dos quais relativos a fatos históricos que ele soube interpretar, com a força da sua arte e as cores fortes da sua bela pintura.
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