Crônicas

O que é legal no aprendiz
Arnaldo Niskier

 

Somos uma nação novidadeira. Se o Brasil estivesse na Europa, certamente a nossa vida seria muito mais monótona. Talvez mais confortável, mas com menos graça. Onde colocaríamos a imensa criatividade do nosso povo?
 
Há um empenho generalizado na busca soluções para os desafios da educação brasileira. Todos concordam que a sua qualidade deixa muito a desejar e, nos grandes centros urbanos, é dramática a visão de jovens que perambulam pelas ruas, à procura de trocados ou “ganhos” nem sempre defensáveis. Outro dia assisti a uma cena incrível: um garoto que não devia ter mais de 15 anos aproximou-se furtivamente de uma loja, feericamente iluminada, e embolsou a embalagem de uma dúzia de cervejas em lata. Quem viu, fingiu que não viu. Ainda foi possível ouvir o rapazinho comentar: “Isso vai dar uma boa grana lá no morro.”
 
Por essas e outras é que se deve abençoar a existência do programa “Aprendiz Legal”, que nasceu em 2000 com a finalidade de preparar jovens de 14 a 24 anos incompletos para a iniciação profissional, auxiliando as empresas brasileiras na sua política de recursos humanos. Trata-se de um curso voltado para a educação técnico-profissional, em paralelo com a jornada de trabalho na empresa.
 
Numa conversa no CIEE/RJ, de que participaram os professores Paulo Pimenta, Lílian Schocair e Luciane Cruz, recolhemos comentários auspiciosos sobre o andamento dessas atividades, que, só no Rio de Janeiro, em menos de um ano, alcançam cerca de 1.000 jovens, estimulados a exercitar o protagonismo e o desenvolvimento da autonomia, favorecendo a necessária construção de competências. Tudo isso logicamente tendo por embasamento os princípios fundamentais da Ética.
 
Temos em mãos o excelente material didático, produzido de forma competente pela Fundação Roberto Marinho. São textos preciosos de gestão compartilhada, manual do aprendiz, competências para avaliação, ocupações administrativas, identidades juvenis & profissionalização, etc. Os livros são escritos em linguagem simples, direta, para facilitar o manuseio, nos 50 encontros relativos à primeira fase, ligando teoria à prática.
 
Importa ressaltar que se trata de uma abordagem integrada, enriquecida pelo emprego de tecnologias educacionais, com uma particularidade que torna ainda mais atraente o projeto: os encontros não têm o caráter de aulas. São considerados momentos de construção coletiva. Aproximam-se saberes, métodos e tecnologias, o que assegura um aproveitamento apreciável.
 
Como são jovens de procedência distintas, as situações de aprendizagem são bastante diversificadas. O propósito é levar os aprendizes a se tornar intelectualmente autônomos, o que facilitará grandemente a conquista de uma visão de mundo que será essencial para enfrentar o mercado de trabalho. Para isso, o ambiente virtual, que faz parte do processo, possibilita o acompanhamento permanente das atividades, além do monitoramento e da avaliação de cada aprendiz. Uma visita ao local do treinamento, na Unicarioca, deixou-nos impressão extremamente favorável do que se faz pelo futuro dos nossos jovens.
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