Crônicas

Educação corporativa
Arnaldo Niskier

 

Depois de ter editado os seus dois primeiros Cadernos, um sobre Cultura e Democracia, outro sobre Ensino Profissional, o CIEE/Rio focalizou no terceiro um tema que se encontra na ordem do dia: Educação Corporativa. Graças à competência da pedagoga Andrea Caruso, especialista em Gestão de Recursos Humanos, mestre em Educação e doutoranda em Políticas Públicas e Formação Humana (UERJ), promoveu-se essa reflexão a respeito das ideias que circulam no mundo dos negócios e no meio acadêmico sobre a Educação Corporativa, que pode ser compreendida como um conjunto de estratégias voltadas ao desenvolvimento e a potencialização do capital humano nas organizações com o intuito de obtenção de vantagem competitiva e sustentável no mercado.
 
A Educação Corporativa, fenômeno que emerge em resposta às demandas da denominada sociedade do conhecimento, justifica-se e ganha cada vez mais força no cenário produtivo devido a fatores, como a necessidade de a aprendizagem ser um processo contínuo; a descentralização do poder e a verticalização das relações dentro das corporações; o advento da Gestão do Conhecimento; a urgência de o trabalho manual ser substituído por um trabalho fundamentalmente intelectual em todos os níveis hierárquicos; a eficácia do conhecimento robusto no aumento da produtividade; a dicotomia entre ensino formal e mercado de trabalho e, por fim, a necessidade de desenvolvimento, descoberta e retenção de talentos.
 
A ideia da Learning Organization é a essência da Educação Corporativa. Cunhada e popularizada pela obra “The Fifth Discipline” – “A Quinta Disciplina -, de Peter Senge, na década de 90, preconiza que as empresas do futuro serão aquelas que descobrirem como fazer com que as pessoas se comprometam e desejem aprender. Compreende-se, assim, que o que distinguirá as organizações que aprendem daquelas que estagnaram no tempo é o domínio de determinadas disciplinas básicas: domínio pessoal, modelos mentais enraizados, visão compartilhada, trabalho em equipe, visão sistêmica. 
 
A Educação Corporativa volta seus esforços fundamentalmente ao desenvolvimento de competências. As competências – que são divididas em técnicas e comportamentais - podem ser compreendidas como a capacidade de transformar conhecimento, habilidades e atitudes em resultados. Para ser competente é necessário saber aplicar tais conhecimentos e/ou capacidades em situações reais. As competências para atuação eficaz no mercado de trabalho são pouco desenvolvidas no ambiente formal de aprendizagem, onde o foco é, geralmente, a capacitação técnica do indivíduo. A fim de solucionar a falta de preparo de muitos profissionais, as próprias empresas vêm propiciando o desenvolvimento dessas competências. 
 
O Caderno CIEE/RJ apresenta como proposta o debate acerca do “apagão profissional” enfrentado pelo Brasil nos últimos tempos. A Educação Corporativa surgiu com a finalidade de evitar um blecaute generalizado. Diante desse cenário, o “apagão” que engloba as diversas áreas e atividades devido à falta de profissionais que atendam às novas demandas do mercado frente ao conhecimento se estende àqueles que devem ser responsáveis pela administração do aprendizado organizacional: o especialista em educação corporativa, sem o qual todas as inovações derivadas do conhecimento e exigidas para a sobrevivência e sucesso das empresas, no cenário econômico atual, podem prejudicar a sua viabilidade. 
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