Crônicas

Qual de nós não deve a vida a uma Professora?
Arnaldo Niskier

 

Foi um sucesso o lançamento do livro “Dr. Chagas”, editado pela Consultor, no dia em que o ex-governador estaria completando 99 anos de vida. Iniciativa do ex-deputado Aloysio Teixeira, contou com a presença, no Copacabana Praia Hotel, de mais de 200 ex-colaboradores e simpatizantes do dr. Antonio de Pádua Chagas Freitas, que governou por duas vezes o Rio de Janeiro.

Organizado pela jornalista Manoela Ferrari, o livro de 188 páginas e dezenas de fotografias históricas teve uma edição muito bem cuidada, com cerca de 30 depoimentos de líderes políticos e administradores que conviveram com o grande homem público. A sua filha Marcia, que veio dos Estados Unidos só para a solenidade, apreciou na obra a fidelidade às características pessoais do dr. Chagas, “inclusive o bom-humor, que muitos desconheciam.”

Ao falarem na cerimônia, Aloysio Teixeira e o Conselheiro Aluísio Gama ressaltaram a importância do homenageado na garantia da passagem do Brasil para um regime democrático. “Sem ele, talvez ainda estivéssemos amargando um período de trevas, na sociedade brasileira.”

Ao se iniciar o seu segundo governo, em 1979, o dr. Chagas com o seu Secretário de Estado de Educação e Cultura tiveram de enfrentar a primeira greve geral do professorado fluminense, que parou ainda no governo anterior. Ao tomar conhecimento das justas reivindicações dos mestres, numa cena que testemunhamos, chamou o Secretário de Planejamento, Francisco Melo Franco, e determinou que todas elas fossem atendidas. E cunhou a frase que figura na capa do livro: “Qual de nós não deve a vida a uma professora?” Assim, foram dados aumentos de até 1.000% ao magistério, atitude inédita e prontamente acolhida pelos grevistas. Quando existe vontade política, como foi o caso, não falta dinheiro.

A sua Secretaria de Estado de Educação e Cultura lhe deu muitas alegrias: inaugurou 88 novas escolas no período de quatro anos e, no Teatro Municipal, montou 23 óperas inéditas, contando para isso com a Central Técnica de Inhaúma, criada por Adolpho Bloch, no governo anterior, com o expressivo título de “fábrica de sonhos”. Isso tudo marcou uma grande fase de pujança artística.

No dia do lançamento, houve duas presenças notáveis: a professora Zoé Noronha Chagas Freitas, esposa do governador, e grande educadora, que autografou os livros ao lado de outra expressiva personalidade da nossa sociedade, a sra. Yedda Maria Martins Teixeira, esposa do desembargador Aloysio Maria Teixeira, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, recentemente falecido, e que foi alvo de muitas e merecidas homenagens. O seu filho Aloysio, que foi deputado federal e estadual do Rio de Janeiro, não cabia em si de contentamento. Ele e o pai foram grandes amigos do governador Chagas Freitas, razão que turbinou essa bonita homenagem. Entre os depoimentos, anotamos o da própria D.Zoé, Israel Klabin(ex-prefeito do Rio) e os deputados Jorge Leite, Gilberto Rodriguez, Daniel Silva e Márcio Macedo.

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