Crônicas

Utopia
Arnaldo Niskier

O 6º Ciclo de Conferências é parte integrante dos eventos culturais da Academia Brasileira de Letras.
 
Organizado em blocos temáticos, este 6º Ciclo vai abordar as “Utopias Contemporâneas”. No decorrer do século XX, encontramos inúmeros pensadores que fizeram da área da estética, da cultura e das artes o locus privilegiado de debate sobre a contemporaneidade. Um dos conceitos fundamentais para pensar sobre a questão é o de utopia - uma espécie de realidade harmoniosa, edênica e compensatória frente à realidade vigente. 
 
Sabemos que a ideia de utopia é um conceito, de certa forma datado, atrelado aos projetos da modernidade de reforma social e às vanguardas artísticas do início do século passado que, sem necessariamente postularem a ideia da arte engajada, acreditavam no forte vínculo entre estética e transformação social.
 
  Ao mesmo tempo em que se percebe inevitável, entre nós, a incorporação das utopias contemporâneas, nota-se o desenho de um desânimo e de uma descrença generalizada no povo brasileiro. Como encontrar um caráter diagramático, com um nicho de possibilidades, para enfrentar a realidade? Seria possível encontrar estratégias alternativas que atuem criticamente em relação à sobrevivência da ética?
 
De que forma podemos contribuir para fazer frente ao pessimismo generalizado? Existe uma utopia brasileira? Em tempos de Olimpíada, qual a distância entre a promessa e a realidade dos legados olímpicos? Como se coloca a questão do analfabetismo ambiental que vem sacrificando o planeta?
Dentro de uma visão interdisciplinar, convidamos os renomados conferencistas Eduardo Gianetti, Mauro Moscatelli e André Trigueiro para discutir essas e outras questões semelhantes.
 
Iniciamos o Ciclo, com o tema “Existe uma utopia brasileira?”. O professor do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais-IBMEC São Paulo e membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp, Eduardo Giannetti, economista e cientista social, com Doutorado em Economia pela Universidade de Cambridge, onde foi professor,será o nosso primeiro orador.
 
Nascido em Belo Horizonte, recebeu o Prêmio Jabuti por Vícios Privados, Benefícios Públicos (1993) e As partes & o Todo (1995). Também publicou, entre outros,  Auto-Engano (1997, traduzido para várias línguas), Felicidade (2002, traduzido para o espanhol) e O Mercado das Crenças (2003, traduzido para o inglês). 
 
Um dos mais prestigiados profissionais de sua área no país, Giannetti aborda, em suas exposições, além do macro cenário econômico, temas como ética e as consequências sociais das transformações econômicas.
 
Depois, virá Mário Moscatelli, biólogo, mestre em ecologia, consultor ambiental para recuperação de áreas costeiras degradadas, responsável pela recuperação de várias áreas de manguezal do estado do Rio de Janeiro, totalizando uma área estimada em 200 hectares.
 
Foi professor de gerenciamento de ecossistemas entre 1997 e 2014. Criou e dirige o projeto Olho Verde, desde 1997. Aos 51 anos, Moscatelli tornou-se o principal denunciador do descaso das autoridades. O biólogo, que já foi ameaçado de morte, anos atrás, por tentar barrar a especulação imobiliária nos manguezais de Angra dos Reis, acredita que o calcanhar de Aquiles do legado olímpico é o meio ambiente. O tema de sua conferência, no dia 23, é “Legados olímpicos ambientais: promessa e realidade.”
 
Por fim, virá André Trigueiro, jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, onde leciona a disciplina “Geopolítica Ambiental”, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, autor dos livros “Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise" (Ed. Globo, 2012); "Mundo Sustentável - Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação" (Ed. Globo, 2005), “Espiritismo e Ecologia” (Editora FEB, 2009) e "Viver é a Melhor Opção - A prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo" (Ed. Correio Fraterno, 2015); Coordenador editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no século XXI" (Ed. Sextante, 2003), Trigueiro vai encerrar o Ciclo de Conferências “Utopias Contemporâneas”, falando sobre “O analfabetismo ambiental e o desafio da sobrevivência do planeta.”
 
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