Saúde Mental


Arnaldo Niskier

Em muitos Estados brasileiros as aulas presenciais não foram ainda retomadas. Há um medo generalizado de que elas provoquem o recrudescimento da pandemia que marcou, infelizmente, este ano de 2020. Em outros, como foi o caso do Amazonas, especialmente na cidade de Manaus, houve a festejada volta às aulas, apesar de todos os receios.

Os alunos comparecem às escolas, mas voltam para casa carregando o medo de infectar seus familiares. Cerca de 110 mil alunos de escolas públicas, orientados por um Plano de Retorno das Aulas Presenciais, documento com 67 páginas, passaram a viver um sistema híbrido, do qual fazem parte máscaras, álcool de gel e totens instalados nas escolas. As ideias mestras foram elaboradas pela Organização Mundial de Saúde e pelo Conselho Nacional de Educação. Primeiro foram atendidos alunos do ensino fundamental, visando à preservação da saúde mental.

Para evitar aglomerações excessivas, as turmas de 40 alunos foram divididas em duas de 20. São blocos que se revezam durante a semana, um deles com aulas às segundas e quartas-feiras, outro às terças e quintas-feiras. As sextas-feiras foram reservadas ao planejamento dos professores. O sistema é apoiado em domicílio, com um canal de TV Aberta e o Youtube.

Como é natural, há um esquema de distribuição de merenda aos alunos. Do sistema faz parte o distanciamento de 1,5m entre as pessoas, além de um protetor facial e divisória. Isso tudo conduzido com muitos cuidados, diminui bastante os riscos de contaminação. Assim se busca contornar a defasagem de aprendizado, que é a trágica consequência da pandemia.

Há sistemas de educação que estão quase entregando os pontos. Consideram perdido este ano e fazem planos para a recuperação do que for possível, a partir do ano letivo de 2021. De todo modo, é louvável o espírito de resistência dos professores das nossas escolas públicas, que procuram fazer de tudo para que se evite o prejuízo na vida escolar dos nossos educandos. Mas a verdade é que a solução está acima das nossas forças, dependendo, por exemplo, do início de aplicação da vacina salvadora. Ela virá, estamos certos, mas quando?