Crônicas

O maior nome da Medicina Brasileira
Arnaldo Niskier

São vários os grandes nomes da medicina brasileira, em tempos distintos. Tivemos Osvaldo Cruz, Carlos Chagas (pai e filho), Clementino Fraga, Adib Jatene e, sem dúvida, Ivo Pitanguy, talvez o maior deles. Salvou em 17 de dezembro de 1961 um grande número de vítimas do fogo que destruiu em Niterói o Gran Circo Norte-Americano, que fez mais de 500 mortos.
 
Pitanguy dirigiu um grupo de cirurgiões plásticos, salvando dezenas de pessoas, especialmente crianças. Ele recorda esse heroísmo no livro Aprendiz do Tempo, lançado em 2007 pela Nova Fronteira.
 
Um dia depois de ter carregado a tocha olímpica, no bairro de Botafogo, Ivo Pitanguy, membro da Academia Brasileira de Letras (cadeira n o 22) e da Academia Nacional de Medicina (cadeira n o 67) foi vítima de uma parada cardíaca. Tinha chegado gloriosamente aos 93 anos de vida, deixando a esposa Marilu e os quatro filhos Ivo, Gisela, Helcius, Bernardo e cinco netos.
 
Figura querida pela família e pelos amigos, entre os quais me incluo, Ivo foi não só um grande profissional da cirurgia plástica, mas um ser humano de extrema generosidade, como demonstrou ao criar a Enfermaria n o 38 da Santa Casa de Misericórdia, onde promoveu centenas de operações gratuitas.
 
Na Ilha dos Porcos, em Angra dos Reis, mantinha um local de recuperação dos seus operados, entre os quais muitos artistas de cinema, a princesa Farah Diba e o corredor Niki Lauda. O seu trabalho não era só de recuperação de queimaduras, mas também de restauração, com conceitos muito próprios do que entendia por beleza.
 
Tivemos o ensejo de entrevistá-lo algumas vezes, conhecendo na intimidade o que pensava esse grande e inesquecível profissional.
 
Na década de 80, estive ao seu lado, no lançamento em Bloch Editores da revista Medicina de Hoje, que fez muito sucesso. Ele fazia questão de ser o professor de uma grande quantidade de alunos, de todas as partes do mundo, que tinham por ele uma verdadeira veneração.
 
Formado em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi chefe do Serviço de Queimaduras e de Cirurgia Reparadora do Hospital Souza Aguiar, de 1952 a 1955, autor de mais de 900 trabalhos científicos em livros e revistas. Foi professor titular do Departamento de Cirurgia Plástica da PUC-Rio e do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Ainda recentemente, tivemos a honra de participar, na UniRio, da homenagem que lhe foi prestada como Doutor Honoris Causa daquela  instituição, por iniciativa do seu reitor, professor Luiz Gil Jutuca. Foi uma belíssima e
merecida lembrança.
 
Apesar de extremamente ocupado, encontrou tempo para escrever em 2014 a sua autobiografia, com o título Viver vale a pena, em que valorizou a floresta tropical em que vivia, além de demonstrar uma dupla paixão: pelo meio ambiente e pelos extraordinários quadros que compunham a sua pinacoteca, do Rio e de Paris. Vamos sentir saudade de Ivo Pitanguy.
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