Crônicas

Um banco de empregos
Arnaldo Niskier

O esforço de intermediação desenvolvido pelo CIEE/RJ tem seu foco na chamada geração “nem nem”, formada por jovens que não estudam e nem trabalham. O programa, que atende a estudantes com idades entre 17 e 24 anos incompletos, está presente no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri e logo iniciará suas atividades no município de São João de Meriti.
 

A ação envolve, basicamente, um conjunto de oito palestras de orientação, incluindo a parte vocacional. Quando o jovem termina essa etapa com frequência total, recebe um certificado com o qual pode se apresentar nas empresas por nós designadas. Com o certificado, ele automaticamente passa a ser o aprendiz legal: ganha o salário mínimo local, que hoje é R$800,00, no Rio de Janeiro, além dos direitos trabalhistas. E eles devem estudar todo o tempo. Quem para de estudar, perde os seus direitos.


Se deixarmos os jovens ociosos, com aquele dinamismo próprio da idade, com saúde, com energia, eles se tornam presas fáceis do desvio. Neste ano, vamos treinar 500 desses jovens. E já existe uma previsão orçamentária no CIEE/Rio para dobrar esse número em 2015. 

O programa paga uma bolsa-auxílio. O estudante recebe o seu primeiro salário. Para participar, ele precisa ter entre 17 e 24 anos incompletos de idade e estar matriculado em uma escola regular, em qualquer série. Os jovens escolhem a ocupação conforme a sua propensão. Fazemos uma combinação entre as oportunidades que existem no mercado, que conhecemos muito bem, e as tendências do jovem. Alguns tendem para as ciências humanas; outros para a área de tecnologia. Não forçamos o jovem a fazer aquilo que não quer; caso contrário, ele desiste. Nossas especialistas verificam quais são essas tendências e os encaixam em um banco de empregos, oferecendo-lhes as oportunidades devidas. No projeto Jovem Alerta, desenvolvemos uma ação múltipla. Trabalhamos com os jovens e também com 3.500 empresas no Rio de Janeiro. As oportunidades oferecidas são todas informatizadas. Temos um banco de dados e fazemos essa intermediação entre o jovem e a empresa.

Estamos agindo na comunidade da Providência. Cumprimos um convênio com a Secretaria Estadual de Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro. Esse programa é uma bola de neve. Os números podem se multiplicar na medida em que a garotada perceber que esse é um projeto genial. A necessidade pode nos obrigar a ampliar a oferta; e nós temos estrutura e vontade para fazer isso. É uma pena que tenhamos limitações. Não podemos substituir o governo. O objetivo do CIEE/Rio é ajudar. 
 
Operamos com o Jovem Alerta, que vai se ligar muito rapidamente a um projeto muito maior que é o Pronatec. Esse projeto é uma espécie de vestibular para o Pronatec, que hoje alcança 12 milhões de jovens. Estamos sendo sóbrios em um começo passo a passo e, à medida em que formos crescendo, desaguaremos no Pronatec. Além disso, o CIEE/Rio desenvolve, há quatro anos, o projeto Aprendiz Legal que, hoje, atende mais de sete mil alunos no Rio de Janeiro. 

O Pronatec é um projeto muito bem sucedido no Governo Federal. É um sucesso. Mas o Pronatec não pode nascer no quinto andar de um edifício. É preciso que haja uma base. E essa base é o Jovem Alerta, que fornece uma orientação fundamental, preparando o estudante para o próximo passo: a educação profissional.
 
 
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