Crônicas

Educação no Trabalho
Arnaldo Niskier

Nos 70 anos de vida do Senac, a entidade do comércio de bens, serviços e turismo treinou mais de 63 milhões de brasileiros, sempre com um zelo incomparável, como pudemos verificar na visita feita ao Centro Universitário de Campos do Jordão (SP).
 
Dois dos seus cursos, nas áreas de Gastronomia e Hotelaria, ganharam nota 5 (a máxima) do MEC, uma prova do acerto da orientação dada pelos seus dirigentes e professores desde 1990, sempre sob o competente comando de Abram Szajman, quando receberam a autorização oficial para dar sequência aos seus projetos de Ensino Superior do então Conselho Federal de Educação. Foi um prazer participar dessa histórica decisão.
 
Hoje, com 300 alunos, oriundos de várias partes do Brasil, especialmente do Vale do Paraíba, o Centro Universitário Senac oferece, com muita competência, entre outros, cursos técnicos em Administração, Confeitaria e Segurança do Trabalho. São cerca de dezoito meses de duração.
 
O curso (muito procurado) de Gastronomia tem dois anos de duração. Em suas modernas e atraentes instalações há lições de doces caseiros, herança da culinária familiar, sururu, técnicas culinárias indígenas absorvidas pelos bandeirantes na Serra do Mar, cozinha francesa etc. Tudo sob a inspiração do que expressa a Chef Maria Mendes: “O cozinheiro é um artista que vê no ingrediente numa tela em branco. Nos temperos, as tintas. E então com sua alma criativa, mescla textura, formas e sabores. Fazendo do parto de comida a mais pura obra de arte.”
 
É sob essa inspiração que os alunos de Campos do Jordão trabalham, com o magnífico reforço de aulas práticas no tradicional Grande Hotel, que funciona com êxito absoluto desde 1944, quando foi criado para ser cassino, iniciativa logo frustrada no governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra.
 
O Centro Universitário Senac dispõe de um serviço de apoio psicopedagógico, laboratórios modernos, panificação para servir alunos e professores, biblioteca atualizada com uma original aromateca e local para aulas práticas em duplas ou trios. Seus mestres têm uma consagradora experiência, que aplicam em cursos como o de Tecnologia em Eventos, realizados nas belas e confortáveis instalações do bairro de Capivari, levando em conta o que se encontra num dos seus murais, autoria da famosa
escritora Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
Esse é o clima que lá predomina, como é o permanente desejo da sua diretora Camila Moraes, formada no setor de Hotelaria
 
Vale a pena referir que, embora o ensino seja pago, o Senac oferece um grande número de bolsas e, para alguns alunos, dispõe de 20 apartamentos (para dois e para quatro alunos cada). Um conforto e uma funcionalidade como raramente se vê, o que valoriza (e muito) o aprendizado há 25 anos naquela região. É um projeto de educação para o trabalho, no setor terciário, de primeira grandeza, o que despertou o interesse de outros países, como é o caso do Canadá. Assim se valoriza a atitude empreendedora que caracteriza essa vitoriosa iniciativa do Senac, que oferece cursos presenciais, à distância e de pós-gradução (Gastronomia – História e Cultura), além de 90 cursos de extensão, 
com inequívoca competência. Os novos profissionais devem trabalhar com amplo conhecimento das relações entre História, Cultura e Alimentação. Campos do Jordão dá um belo exemplo, aproveitando-se também do que realiza desde 1988 no seu Hotel-escola de 95 apartamentos, o primeiro dos quais nasceu em 1969, em Águas de São Pedro (SP).
  • Twitter - Arnaldo Niskier
  • Facebook - Arnaldo Niskier
  • Orkut - Arnaldo Niskier