Crônicas

Jovens questionadores
Arnaldo Niskier

Nascidos a partir de 1980, os jovens hoje chamados de Geração Y são os primeiros a entrar no mercado de trabalho com amplos conhecimentos do mundo digital. São curiosos e questionadores. Internet e celular integram o seu cotidiano, que agora se exacerba com o sucesso monumental do I-PAD, da Apple.
 
Por 500 ou 600 dólares, nos EUA, é possível adquirir a última e revolucionária maravilha, no formato 21 x 28, em cores, que excita a imaginação de jovens empresários, com menos de 30 anos de idade, mas que começam a viver com um claro objetivo profissional: avançar na carreira, sem descurar da vida pessoal.
 
Já deixando de lado o treinamentos nos discutíveis videogames, falam pelo menos mais uma língua (inglês) com fluência, e são capazes de manejar os modernos instrumentos de comunicação de forma concomitante, para desespero dos integrantes da Geração Z, os baby-boomers, que se encontram acima dos 40 anos e que lutam por uma vida melhor, mas já de olho na aposentadoria futura, o que os faz ardorosos fãs dos hoje vitoriosos planos de previdência complementar (fundos de pensão).
 
No meio termo, lidamos com a Geração X (31 a 39 anos). Seus integrantes têm uma grande motivação para o trabalho e pensam muito na educação dos filhos.
Com essa visão das gerações X, Y e Z, os especialistas em Recursos Humanos dão tratos à bola para selecionar os modelos mais adequados de gestão, para garantir a competitividade do sistema.
 
Alguém perguntará se essas verdades também se aplicam à vida pública – e a resposta deve ser afirmativa. Ou a jovem professora de 24 anos não tem as mesmas ambições, esteja ela na escola pública ou na escola particular? O que se precisa considerar apenas é a diferença de oportunidades, com visíveis vantagens para a iniciativa particular, onde se paga bem mais.
 
O melhor investimento em desenvolvimento profissional traz como consequência o desejo de permanência no posto ocupado, o que costuma ocorrer em 63% dos casos, segundo pesquisas recentes. Os jovens aceitam o vínculo quando sentem uma boa perspectiva de progresso – e aí os profissionais da rede pública são vítimas de um lamentável desânimo. Se tiverem que preferir...
Outra característica marcante da Geração Y é a velocidade com que pretende ascender a postos mais elevados. A paciência para aguardar é reduzida. Muitos têm bons cursos de pós-gradução (alguns lá fora) e não querem esperar por chances remotas. É a hora dos jovens de talento.
 
Não existe propriamente um conflito de gerações, mas uma visão diferente e segmentada do mercado de trabalho, com nítida vantagem para os que dominam as inovações tecnológicas, independentemente das idades.
 
Inovação passou a ser a palavra de ordem. Ela deve estar presente também na escola, para que se forme uma nova e competente geração de líderes.
O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), com os seus 25 mil inscritos, no Rio de Janeiro, trabalha com essa perspectiva de propiciar rápida ascensão profissional aos seus aplicados estagiários da predominante Geração Y.
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