Crônicas

A reforma dos cursos de Pedagogia
Arnaldo Niskier

 

A presidente Dilma Rousseff, em sucessivos pronunciamentos, tem defendido a ideia de valorizar o magistério brasileiro, ao lado de outras providências essenciais, como os cuidados com o ensino técnico e até a projeção de bolsas do tipo Prouni (Pronatec) para esse ciclo. Tem toda a razão, pois não conheço experiências vitoriosas, em países desenvolvidos, sem a prioridade dada a professores e especialistas, num duplo aspecto: formação adequada e salários compatíveis. Estamos falhando nessas duas vertentes. Com melhores professores, teremos alcançado a sonhada Educação de Qualidade.
 
É preciso valorizar o magistério público na educação básica, com uma escolaridade mínima de 11 anos (como em outras profissões). A meta está correta, mas temos que cair na realidade. Nos tempos atuais, o índice de formandos em Pedagogia é muito baixo (de 2005 a 2009, os alunos que concluíram essas graduações desceram de 103 mil para 52 mil), o que prova a existência de um nível muito crítico de interesse dos jovens pela profissão. A baixa remuneração seria a causa principal? 
 
O número de estudantes concluintes no Brasil cresceu, nos últimos cinco anos, de 717 mil para 826 mil, mas isso não contempla, por exemplo, as licenciaturas, que cada vez despertam menos interesse. É preciso reverter esse quadro. Atrair para o magistério também os chamados “alunos bons” do ensino médio, que se afastam da atividade por motivos que precisam ser melhor explicados. Outro aspecto relevante e que precisa ser retomado é a reciclagem constante dos professores. Nos saudosos anos de 60/70 havia essa preocupação – o Serviço de Orientação Pedagógica levava aos professores, mensalmente, palestras, textos, livros, enfim uma gama de informações que os mantinham incentivados a ministrar melhores aulas. 
 
O Plano Nacional de Educação/PNE é ambicioso, quer universalizar até 2016 o atendimento escolar à população de 4 a 5 anos, mas estamos a anos-luz de distância dessa possibilidade. Será necessário um grande esforço também dos sistemas municipais de ensino para melhorar. Uma verdade é cristalina: hoje, não há meios financeiros nem vontade política para que isso ocorra. Não se pode esquecer que esse problema passa também pela necessidade de bons professores.
 
Agora, uma grande campanha de marketing, patrocinada pelo MEC, poderia ajudar a mudar esse quadro. Também uma ação mais efetiva do Conselho Nacional de Educação seria aconselhável, pois a profissão não tem merecido os cuidados devidos. Aliás, quando estive no Conselho Federal de Educação (período de 1986 a 1992), como presidente da Câmara de Ensino Superior, tentei de todas as maneiras promover algo revolucionário na graduação de professores e especialistas, mas houve uma séria resistência dos diretores dos próprios cursos de formação, como se tudo estivesse no melhor dos mundos, o que sabemos não ser verdade. A reforma dos cursos de Pedagogia é uma prioridade inadiável. Com a palavra, o CNE.
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