Crônicas

Um curso que faz a diferença
Arnaldo niskier

No momento conturbado que estamos vivendo, um fato chamou a
 
atenção: o nascimento de um novo e qualificado curso de Direito, no panorama
 
educacional do Rio de Janeiro. O evento foi ainda mais valorizado por se ter realizado
 
na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no centro da cidade.
 
 
Trata-se da primeira turma de futuros bacharéis da Unicarioca,
 
hoje considerado o melhor centro universitário do Rio de Janeiro, com vários cursos de
 
padrão A, segundo julgamento do MEC. O reitor é o professor Celso Niskier, que
 
dirige a instituição desde a sua criação há 26 anos. Hoje, tem 12 mil alunos.
 
A oração principal da cerimônia inaugural do curso de Direito foi
 
realizada pelo dr. Felipe Santa Cruz, presidente da OAB/RJ. Foi muito incisivo ao
 
abordar o tema “Que modelo de profissional do Direito queremos” , citando figuras
 
históricas que passaram pela entidade, como os advogados Sobral Pinto e Evandro Lins
 
e Silva: “São exemplos de profissionais que fizeram história.”
 
O dr. Felipe disse que o Brasil hoje tem quase 1 milhão de
 
bacharéis. Por isso mesmo, exige-se um ensino jurídico de qualidade, como se pode
 
depreender do projeto da Unicarioca, amplamente aprovado pela OAB/RJ. Segundo
 
ele, “trata-se de um trabalho inovador, com a característica de defender princípios éticos
 
inabaláveis, que vão dignificar a profissão.”
 
O corpo docente foi muito elogiado, como capaz de conduzir os
 
alunos pelos caminhos de um novo Direito. Ao falar aos seus 180 alunos, o reitor Celso
 
Niskier citou a responsabilidade da sua formação em tempo de crise. É um desafio, que
 
não abre mão do uso permanente da paixão. “Não se deixem vencer pelo pessimismo,
 
em nenhuma circunstância,” apelou ele, sob aplausos demorados dos seus alunos.
 
 
Tivemos o privilégio de falar, abordando igualmente o que se
 
espera do profissional dos novos tempos. Certamente, não será uma formação como a
 
dos velhos tempos da Universidade de Coimbra, em que se firmaram os esteios do
 
nosso clássico bacharelismo. O futuro pede maior atenção a inovações, como as que
 
marcam solidamente a Informática. É claro que serão estudados os vários e
 
diversificados nichos do Direito (Constitucional, Trabalhista, Criminal etc), cada num
 
deles exigindo uma atenção especial, mas com ênfase notadamente nas questões ligadas
 
à Ética, palavra que vem de “ethos”, costumes. Aristóteles afirmava em Ética a
 
Nicômaco que a primeira das palavras não é ciência e, portanto, não pode ser ensinada,
 
mas é preciso respeitar certos valores como experiência do pensamento.
 
 
É um conselho que não pode estar dissociado de bons estudantes
 
de direito. Ainda no livro citado aprendemos noções de ciência política, de bem, de
 
belo, de justo e de humano, elementos que certamente estarão permanentemente em
 
consideração, no curso que ora se inicia.
 
 
 
 
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