Crônicas

Atendimento Deficiente
Arnaldo Niskier

Embora a lei obrigue que 5% das vagas em concursos públicos sejam destinadas a portadores de necessidades especiais, a verdade é que somente menos de 2% de pessoas com deficiência trabalham com carteira assinada. Nem um terço dos municípios tem deficientes empregados no mercado formal, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho. São quase 62 mil pessoas com deficiências severas que estão desempregadas.
 
Em parte, conforme estudos do CIEE/Rio, isso é devido à negligência de empresários, que não se esforçam pela utilização de empregos compatíveis. É certo que se trata de um desafio nada simples. Não é fácil compatibilizar o emprego com a formação do deficiente, o que leva muitas vezes à existência de desvios de função. Muitos formados em nível superior acabam se colocando em atividades intermediárias, como decorrência das suas limitações, a que se deve agregar óbices como o do transporte, sem rampas adequadas, e a falta de banheiros adaptados às circunstâncias desse público.
 
É claro que pessoas com deficiência dificilmente podem levar uma vida independente, mesmo que algumas delas possam ser vistas dirigindo carros adaptados. Agora mesmo, em visita aos Estados Unidos, vimos um grande número de automóveis sendo utilizados por portadores de deficiências, alguns deles vitimados pelas guerras em que se envolveu o seu país. Eles têm lugares especiais nos estacionamentos – e isso respeita-se de forma sagrada.
 
Mesmo que se formem como jornalistas, advogados ou administradores os indivíduos portadores de necessidades especiais são aproveitados quando têm conhecimentos em informática, e não importa se elas são cegas, surdas ou mudas. Podem ter boas oportunidades de emprego, evitando a lamentável exclusão. O avanço da tecnologia protege tais pessoas.
 
O CIEE do Rio de Janeiro dá uma atenção toda especial a esses indivíduos, procurando realizar ações inclusivas e movimentos de qualificação e reabilitação profissional, conforme recomendações da Organização Internacional do Trabalho. O seu maior objetivo, afirma o dirigente Paulo Pimenta, é criar um ambiente saudável, em que as pessoas se sintam à vontade para trabalhar.
 
Ao lado desse problema crucial, a entidade preocupa-se também com a política do pleno emprego, envolvendo os chamados superdotados ou indivíduos portadores de altas habilidades. Estima-se a existência de mais de 5 milhões de pessoas marcadas no Brasil por essas características, sem que se dê a elas o cuidado especial merecido. Eram os antigos minigênios, hoje consagrados em filmes como “A teoria de tudo”, que faz o maior sucesso, apesar das limitações do herói da encenação. Há como compensar as restrições que acontecem com o físico e cosmólogo Stephen Hawking, 
brilhante aluno da Universidade de Cambridge, que foi vítima de uma doença degenerativa neuromotora. Ele usa um sintetizador de voz para se expressar. Sobrevive às suas dificuldades e hoje é um cidadão plenamente útil.
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