Crônicas

Carlos Chagas Filho e a Ciência Brasileira
Arnaldo Niskier

 

Há uma série de comemorações dos centenários de figuras ilustres da vida brasileira. Depois de Rachel de Queiroz e Aurélio Buarque de Holanda, agora é a vez de ser relembrado o que Carlos Chagas Filho representou para a nossa ciência. Foi o que fizemos, na Academia Nacional de Medicina, a convite do seu presidente, Pietro Novellino.
 
O nosso conhecimento era antigo, desde os tempos da revista Manchete, cuja sede ele frequentava com relativa assiduidade. Consolidou-se quando lhe entreguei, como Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, em 1969, o primeiro Prêmio Almirante Álvaro Alberto, o maior do país, na ocasião, que recebeu como diretor e grande inspirador do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foram 90 milhões, na época, muito dinheiro.
 
Depois, a meu convite, participou do Conselho Estadual de Cultura, na década de 80, chegando à presidência desse importante órgão normativo do governo do Rio de Janeiro. Foram inúmeras as iniciativas de valorização da ciência no ensino, sendo notável o seu empenho por projetos de iniciação científica, de que decorreram inúmeras e inesquecíveis Feiras de Ciências. Por isso, não foi surpresa quando a Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) ganhou o seu nome.
 
Terceiro ocupante da Cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 3 de janeiro de 1974  na sucessão de Marques Rebelo foi recebido em 23 de abril de 1974 pelo acadêmico Francisco de Assis Barbosa.
 
Carlos Chagas Filho, médico, professor, cientista e ensaísta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de setembro de 1910 e faleceu na mesma cidade em 16 de fevereiro de 2000. 
Aos 16 anos ingressou na Faculdade de Medicina da antiga Universidade do Brasil, formando-se em 1931. Foi logo depois praticar a profissão em Lassance, no interior de Minas Gerais. Essa experiência colocou-o em contato direto com os problemas nacionais, confirmando a decisão de dedicar-se ao ensino e à pesquisa científica. 
 
Costumava repetir as palavras do próprio pai, ao tomar posse como catedrático de medicina tropical, em 1925, na mesma universidade: “A pesquisa científica não se pode excluir do ensino, pois é neste, e principalmente nele, que despontam a cada passo, na complexidade dos fenômenos da vida e da doença, fatos novos a interpretar, problemas obscuros a esclarecer.”
Ingressou no Instituto de Manguinhos, onde fez sua formação científica. Foi em Manguinhos que se dedicou às áreas básicas da Medicina, criou a cadeira de Biofísica no Rio de Janeiro e no Brasil, utilizando técnicas novas de Radiobiologia, Farmacologia, Fisiologia e Bioquímica.
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