Crônicas

35 anos de Telecurso
Arnaldo Niskier

Sempre acompanhamos de perto a evolução do Telecurso, um belo empreendimento pedagógico da Fundação Roberto Marinho.  Está comemorando 35 anos de existência, com magníficos resultados em nada menos de seis  estados do país.  Como prova do seu alcance, pode-se afirmar que membros  de aldeias ticunas, no Amazonas, interagem com o material disponível, inclusive já agora com o emprego indispensável da internet.  Para chegar à comunidade, é preciso viajar mais de duas horas a bordo de uma lancha voadeira.  E então ter acesso ao material da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que chega religiosamente.  São alunos de 35 a 71 anos.  O processo não tem limites.
 
Os números do Telecurso são impressionantes, sobretudo se considerarmos que não são frutos de ações governamentais.  É uma  valiosa contribuição da iniciativa privada, representada pela FRM.  Já foram atendidos mais de 6 milhões de estudantes.  A Telessala tornou-se uma respeitável metodologia, com base em materiais escritos por professores universitários de reconhecida competência.  Hoje, é uma política que ajuda a resolver os problemas de atendimentos nos estados do Acre, Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rondônia.  Pela diversificação geográfica se pode ter a dimensão exata da importância do projeto.
 
Muitos dos alunos aqui referidos estão indo à escola pela primeira vez.  Não teriam outra chance de aprendizado.  Fazem referências elogiosas à educação recebida: “Meus pais eram muito pobres e não tinham condições de pagar os meus estudos.  Foi graças ao Telecurso que consegui aprender a ler e escrever.”  Esse é um comentário comum, na história do projeto.
 
Uma professora que dá aula para duas turmas é muito clara: “Temos que superar obstáculos. Eles querem estudar, é a melhor maneira de transformar a sociedade”, afirma uma das dedicadas mestras que leciona numa palafita de um dos rios da Amazônia.  Revela-se feliz da vida com os resultados.
 
Hoje, o Telecurso conta com 40 mil professores e já distribuiu nada menos de 24 milhões de livros, além de quase dois milhões de fitas.  São números bastante expressivos, referendados oficialmente pelo Ministério da Educação, que editou o “Guia de Tecnologias Educacionais” com base nesse gigantesco trabalho da Fundação Roberto Marinho.
 
De nossa parte, temos a experiência do emprego desse material nos trabalhos oferecidos pelo Centro de Integração Empresa-Escola, no Brasil inteiro.  Só no Rio de Janeiro, são cerca de  30 mil estagiários e mais de cinco mil aprendizes (jovens de 14 a 24 anos incompletos).  Podemos afiançar que os livros são muito apreciados pelos alunos, com um argumento básico que ouvimos sempre: “A vantagem deles é que se referem sempre a situações do cotidiano, da vida.”  Isso foi apreendido, desde os primeiros tempos, com as ideias do educador  Paulo Freire.
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