Crônicas

Os equívocos da Maconha
Arnaldo Niskier

 

Há certas coisas, nos trópicos, que são difíceis de entender. Pessoas de boa formação, aparentemente normais, defendem ardorosamente a descriminalização da maconha, como se fosse  a salvação do país.  Alegam, de forma equivocada (e mentirosa) que em certos países desenvolvidos isso aconteceu e tudo melhorou.  Não é verdade, tanto que a Holanda, de tantas tradições democráticas, foi e voltou.  Ou seja, permitiu e depois sentiu que não era uma boa.
 
Numa determinada ocasião, estive em Amsterdam e assisti, na praça principal da capital holandesa, ao festival de liberação dos tóxicos com os jovens indo e vindo às farmácias da região para adquirir a  erva sem maiores dificuldades.  É um espetáculo lamentável.  Não sei exatamente o que se ganha com isso, permitindo a liberação.  Sabemos que o mesmo acontece no Canadá.  De todo modo, temos de convir que são culturas bem distintas da nossa, para que se queira imitar essas tristes experiências.
 
Muito mais exigentes, na matéria, são países como a Suécia e o Japão, onde isso é determinantemente proibido.  Os defensores das facilidades procuram sempre esquecer o que se passa nos dois países citados, pois é claro que não interessa divulgar que nações desenvolvidas não permitem esse tipo de conduta execrável.
 
É sabido que as maiores vítimas do emprego da maconha são adolescentes e adultos jovens.  As consequências são devastadoras, inclusive porque aí se concentra o início de um vício que depois se alastra, alcançando a cocaína e outras drogas pesadas, algumas de custo baixo, como é o caso do crack.  O preço vil estimula o uso.  Hoje, há estatísticas que comprovam a existência de 1,5 milhão de dependentes diários, em nosso país.  É triste conviver com isso.
 
Psiquiatras que lidam com viciados confirmam que 1/10 deles tem transtornos graves.  Incomoda saber que 17% do consumo da maconha se assinala  nas escolas, sem que se tome uma providência que  elimine esse desconforto.  Haveria convivência de professores e/ou diretores? Ou são os pais os responsáveis, pelo desinteresse na educação dos seus pimpolhos?
 
Estudando o assunto, com a nossa experiência de mais de meio século, assinalamos que a apatia dos jovens é grande sintoma de que algo está errado no seu comportamento.  Quando os jovens deixam de lado a sua alegria natural e trocam por uma atitude estranha, inclusive deixam de praticar esportes, podemos desconfiar de que existe algum estorvo na sua conduta, merecendo uma atenção toda especial.
 
Mesmo com todos esses inconvenientes, uma boa parcela do nosso povo trata esse tema de forma liberal, com desculpas esfarrapadas, como “O álcool é muito mais grave” etc.  Ora, não temos que fazer nem uma nem outra opção.  Já existem 11% de brasileiros que defendem a descriminalização da maconha.  Embora seja uma parcela pequena da população, ainda assim  gera  inquietação.
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