Crônicas

Como ganhar uma olimpíada
Arnaldo Niskier

 

É muito justa a pretensão de sediarmos, em 2016, a Olimpíada que reunirá atletas do mundo inteiro. A China ganhou a competição de 2008 e dá uma grande demonstração de eficiência, com o propósito de fazer a maior de todos os tempos.
 
A nova geração acostumou-se a ver a China pela fachada das suas precariedades. Um país pobre, com mais de 1 bilhão de habitantes, liberdade restrita, com fome, baixos salários e grande pirataria. Só que existe uma outra face, que aos poucos nos faz lembrar de que ali nasceu a pólvora e registraram-se outras descobertas, devidas a sua cultura milenar. Essa é a China da Olimpíada.

O crescimento da economia há tempos é superior a 10% ao ano, há um enorme progresso no atendimento à educação, sua tecnologia começa a florescer com originalidade (e não só as cópias), muitos dos seus estudantes de nível superior freqüentam cursos nas melhores universidades do mundo. Nisso tudo não há perda de autenticidade. A ocidentalização de procedimentos não traz prejuízos às características do povo chinês. O BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) é uma nova realidade, na economia mundial, deslocando para outras regiões o que se entende por progresso material.
 
Participamos de uma reunião, promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Gávea Golf Club, para discutir as possibilidades da candidatura do Rio de Janeiro a sede das Olimpíadas de 2016. A exposição de Carlos Arthur Nuzman foi impressionante. A cidade seria dividida em pólos, centrados no Maracanã, em Deodoro (hipismo e tiro ao alvo) e na Barra (aproveitando os equipamentos construídos para os Jogos Panamericanos). Nasceria o Estádio João Havelange para as provas de atletismo, o que se considera mesmo uma necessidade, e até lá os governos das várias instâncias se irmanariam para assegurar a integridade de atletas, jornalistas e visitantes.
 
Do projeto, aplaudido por uma representação apreciável da nossa sociedade, constam diversas providências de aperfeiçoamento da malha de transportes urbanos, inclusive uma via direta de acesso Maracanã-Deodoro. O ponto nevrálgico da nossa pretensão reside na oferta de quartos e/ou apartamentos. Temos hoje menos da metade do que pede o Comitê Olímpico Internacional, o que exigiria de imediato um grande esforço sobretudo na construção de novos hotéis (e confortáveis). Como se sabe, não basta erguer o hotel, é preciso pensar os recursos humanos para administrá-los, talvez uma grande chance para o Senac demonstrar a sua indiscutível competência na matéria.
 
Temos chance? Por enquanto, ficamos em quarto lugar. Haverá no próximo ano uma reavaliação das candidaturas e há, como foi dito por Nuzman, uma clara simpatia para trazer os Jogos para a América do Sul. Seria a primeira vez e uma responsabilidade muito grande. Demos uma clara demonstração de capacidade com a realização do Panamericano. Esse é um bom trunfo, mas as possibilidades ficarão mais nítidas quando se souber da viabilidade econômico-financeira, ou seja, de onde sairá o dinheiro para as obras necessárias. Com a palavra, os governos.
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