Crônicas

O Estado a arte da EAD
Arnaldo Niskier

 

Para os professores Frederic M. Litto e Marcos Formiga, a educação à distância no Brasil é uma realidade em ascensão. Eles prevêem, como bons especialistas, que nas próximas décadas deverá reunir mais alunos do que a educação presencial, “e com formatos mais ricos e mais variados, como jamais anteriormente foi imaginado.”
 
No livro “Educação à Distância – o estado da arte”, lançado ela Pearson, com apoio da Abed (Associação Brasileira de Educação à Distância), organizado pelos autores citados, foram analisados aspectos essenciais da matéria, como os históricos e culturais; tecnológicos; pedagógicos e andragógicos; suporte aos alunos e avaliação; EAD na educação formal; EAD na educação não formal; aprendizagem aberta e flexível; operação de EAD; tendências recentes e futuras.
 
É uma obra essencial para os estudiosos e os que se interessam pelo emprego da modalidade, hoje em franca expansão no mundo. Por intermédio de autores de grande experiência, de forma científica, são abordados setores relevantes, como a economia, a saúde, a educação de jovens e adultos, o novo papel do professor, a ética e a relação histórica entre a tecnologia e a aprendizagem.
 
Nos exame dos aspectos culturais da EAD,  analisamos os efeitos da TV Digital, hoje uma realidade em nosso País, mas não deixamos de criticar aberrações como a existência de 41 mil cidades que ainda não dispõem de energia elétrica, o que as condena irremediavelmente ao atraso. Temos milhares de computadores nas escolas, é certo, mas ainda há precariedade na indispensável manutenção, causa talvez da pouca atenção dada até aqui ao ensino profissionalizante, sobretudo no nível médio (talvez o que deva merecer a maior preocupação das nossas autoridades).
 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, desde 1996, contempla uma série de artigos de valorização da educação à distância e hoje, no Brasil, já temos mais de 1 milhão de alunos freqüentando cursos dessa modalidade. Esbarramos no fenômeno da qualidade, exigência da sociedade moderna, para que tenhamos recursos humanos à altura do esforço de desenvolvimento que se faz. Por outro lado, trabalhamos com conteúdos envelhecidos pelos muitos anos de uso, sem a adequação devida aos novos tempos.
 
Disse-nos o prof. Litto, inspirador da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, que a chave da educação brasileira está na elaboração de programas com bons e atualizados conteúdos: “Quem se dispuser a cuidar disso poderá ter o seu nome consagrado, na história da nossa educação.”
 
O livro contempla matrizes de atividades, cita a heutagogia (estudo da auto-aprendizagem na perspectiva do conhecimento compartilhado) e cita autores consagrados, como Paulo Freire, Vygotsky, John Dewey e Pierre Furter, agregando valor ao conceito de Pedagogia, palavra que vem do grego paidós = criança e agogus = guiar, conduzir, educar. São lições admiráveis que se encontram em suas 461 páginas.
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