Crônicas

Nossa língua, nossa força
Arnaldo Niskier

 Numa feliz iniciativa de Haroldo Zager , realizou-se em Niterói o VI Fórum das Imprensas Oficiais de Língua Portuguesa, reunindo representantes dos 26 estados brasileiros, além da Imprensa Nacional, que tem sede em Brasília.  Foi um encontro extremamente proveitoso para a troca de ideias e  projetos, todos eles visando à valorização da nossa  língua.  Presentes  também representantes de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique, México, Uruguai e Chile.
 
Hoje, no mundo inteiro, há pessoas falando a língua portuguesa.  Ainda há remanescentes do nosso idioma em Goa e Macau, na Ásia, assim como o português é a língua oficial do Timor Leste.  Disso resulta que temos um total de mais de 240 milhões de falantes do idioma de Camões e Machado de Assis.  Nossa língua, nossa força, como se apregoou no encontro realizado sob os auspícios da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro.
 
Presente ao Fórum, Fernando Tolentino, presidente  da Imprensa Nacional (onde trabalhou Machado de Assis, nos seus primórdios, no Rio de Janeiro), lembrou que o nosso país vive um momento muito rico da sua existência, com o reconhecimento internacional dos méritos da política econômica e social.  Citou o xará Fernando Pessoa(“nossa pátria é a língua portuguesa”) e afirmou que está apostando na integração nacional mais acentuada, a partir da implementação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa.
 
O Brasil aderiu em uníssono a esse projeto de simplificação vernacular, que infelizmente não teve a mesma receptividade por parte de certos setores de Portugal e algumas ex-colônias.  Vendeu-se a esses povos a  versão, naturalmente falsa, de que o Acordo é uma forma de predomínio do Brasil sobre essas nações e chegou-se ao exagero de afirmar que estamos sendo, vejam só, neocolonialistas.  Para o filólogo Evanildo Bechara, na essência do Acordo, muito defendido pelo saudoso acadêmico Antônio Houaiss, está o respeito a ideias que nos chegaram de Portugal, desde 1911, quando se assinalaram as primeiras tentativas de unificação.  “Adotamos o que eles queriam e agora  somos os algozes.   Não dá para compreender esse tipo de raciocínio.”
 
O Secretário de Estado de Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa, no evento representante do governador Sérgio Cabral, afirmou que a recuperação da Imprensa Oficial, com o parque gráfico renovado, imprimindo o D.O. em cores, é um fato marcante da atual gestão governamental.  São suas palavras:
 
 “Todos nós estamos empenhados no fortalecimento da língua portuguesa, mesmo respeitadas as diversidades culturais existentes dentro e fora do nosso país.”
 
 No encontro do Rio de janeiro, foi muito bonito verificar o entendimento entre os dirigentes e o avanço de jornais oficiais editados eletronicamente.  O responsável pela imprensa oficial da Paraíba trocou ideias com o diretor da imprensa oficial mineira, como forma de harmonizar procedimentos que certamente irão enriquecer o processo de divulgação dos atos oficiais.  Houve uma unanimidade adicional: a valorização da cultura local, sempre que possível com a produção de suplementos especializados.
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