Crônicas

A Boa Saudade
Arnaldo Niskier



Nos tempos de isolamento social, fazemos algumas coisas de que andávamos divorciados. Por exemplo, a leitura. Reli as reminiscências de Adolpho Bloch no seu originalíssimo “O Pilão”, reencontrei a delícia que é o estilo de Monteiro Lobato (“Reinações de Narizinho”) e me emocionei com o que representa Edgard Allan Poe para a literatura americana.
 
Sobrou tempo para produzir o poema “A boa saudade”, de novo em parceria com o inspirado Tom da Bahia, numa homenagem que faço à minha filha Sandra Niskier Flanzer. Ela está se tornando uma competente conferencista e escritora, com inspiradas incursões no tema “solidão”.
Digo que solidão é o estado de quem ficou só, entregue ao seu próprio pensamento/o caso muitas vezes é de dar dó/De quem prefere triste isolamento.
E mais adiante: “Dessa palavra nasce também solitude/Uma pessoa retirada do mundo/Quem adota essa atitude/É um solitário profundo.”
Lembro que quando chega certa idade/Dou voz ao meu coração/Ao citar a boa saudade/eu lembro com emoção.
 
Para adiantar: “Mas não quero ficar sozinho/Não é essa a minha vocação/Procuro mesmo outro caminho/Busco vacina contra a solidão.”
E recorro as minhas aulas na UERJ: “Lembro a física com muita sabedoria/E ocupo o meu lugar no espaço/É esse o raciocínio que faço/Triste? Não, com uma vital alegria.”       
Para concluir: “Só não quero viver sozinho/Sem você sempre ao meu lado/Daí buscar o belo caminho/Do seu eterno namorado.”
A quarentena provoca angústia. Talvez misturada com alguma ansiedade. Quanto tempo vai durar? Até que ponto a população será alcançada? Enquanto isso, torcemos  para que a ciência encontre a melhor resposta para essa tragédia inesperada. Dia virá em que encontraremos a milagrosa vacina, pois confiemos nos pesquisadores do mundo inteiro. O coronavírus será uma triste página da história.
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