Crônicas

A defesa do ensino remoto
Arnaldo Niskier



A nossa geração jamais viveu um período tão terrível quanto o que nos trouxe a pandemia do novo coronavírus. O morticínio foi mais espalhado pelo mundo do que o da II Guerra Mundial e nem se tem ainda certeza de que foi contido. Enquanto os cientistas não descobrirem a vacina salvadora, viveremos ainda na dúvida.

Não podemos viver sem educação. Aulas remotas substituem o que os alunos aprendem nas escolas, mas o sistema não é perfeito. Nem todas têm Internet e mesmo os professores não estão devidamente preparados para enfrentar o desafio. O susto foi grande e dele ainda não nos refizemos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96), em pleno vigor, exige o cumprimento de 200 dias obrigatórios no ano letivo. Isso foi flexibilizado, para que se pudesse utilizar o ensino à distância. Outra exigência legal (a das 800 horas), no entanto, foi mantida – e os Conselhos Estaduais de Educação estão regulamentando a matéria, sabendo-se que as aulas são transmitidas por um sistema híbrido de televisão, via salas virtuais do Google Classroom, material impresso e chips de Internet distribuídos aos alunos pela Secretaria de Educação.

É claro que são atividades emergenciais, com o emprego de plataforma digital. Vivemos o risco de ampliar o fosso entre a escola pública e a particular, o que não é desejável. O ideal é que os sistemas de ensino voltem o mais rápido possível à normalidade, antes que se dê o ano letivo por inteiramente perdido.

Temos autoridade para lidar com a matéria, pois saíram da nossa pena, quando membro do Conselho Nacional de Educação, no ano de 96, os textos inaugurais da legislação do Senador Darcy Ribeiro a propósito do ensino à distância. Hoje, vemos com satisfação que se cuida da plataforma online, dos aplicativos, das aulas pela televisão (um poderoso auxiliar) e da distribuição de apostilas. Isso tudo deve ser utilizado de forma inteligente, de tal maneira que se assegure a qualidade indispensável. A EAD não pode ser pretexto para rebaixar o nível de ensino. Se isso acontecesse, contabilizaríamos enormes prejuízos.

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