Crônicas

Rio do Futuro
Arnaldo Niskier



 Há 50 anos, justo em 1970, criei na Secretaria de Ciência e Tecnologia (a primeira do país) da então Guanabara a “Comissão do Ano  2000. Era um grupo de técnicos renomados que deveriam estudar os melhores caminhos para a expansão, em todos os setores, do mais novo Estado brasileiro.

É claro que, como formado na matéria, dei o devido destaque à Educação, focalizando as perspectivas que se abriam, nos seus vários segmentos. Houve referências à Educação Permanente, à Educação Personalizada, à Instrução Programada e Educação Tecnológica, à Educação Dialogal, à Educação Comunitária, à Educação para o Lar e à Educação Planejada.

Assim, planos, projetos e programas deveriam ser dimensionados sob a característica do investimento optimum, correspondendo às aspirações e convicções da coletividade. Como dizia Jacques Bousquet, “a organização da  realidade começa com uma organização do espírito.”

Durante os meses subsequentes,  cada desses itens foi sendo desdobrado, de acordo com uma realidade mutante e progressiva. Assim, pode-se inferir que não foi de repente que chegamos a conceitos como educação contínua (para toda a vida) ou o emprego do computador e dos celulares nas salas de aula. Quem poderia adivinhar tudo isso há 50 anos?

Ou supor que um dia o nosso sistema de  ensino teria que ser amplamente reformulado, para admitir a existência do que hoje chamamos de hibridismo? A pandemia mexeu muito com a imaginação dos educadores e ainda não chegamos ao fundo do poço.

No relatório referido (Comissão do Ano 2000) se afirma ainda que devemos estar preparados para o aumento direto da capacidade mental humana pela ligação do cérebro com um computador, pelo controle químico ao biológico do caráter ou da inteligência e pelo possível controle direto dos processos individuais de pensamento, conforme estudos de Herman Khan e J. Wiener.

Tudo isso (ou quase tudo) sendo alcançado, estaremos no caminho do que Wiener chamava de “uma educação humana para os homens”. Por que não?
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