Crônicas

No mundo da Imprensa
Arnaldo Niskier



A jornalista Ana Maria Ramalho, jovem ainda, entrou para o Grupo Bloch pelo melhor caminho: concurso. Queria uma vaga de repórter e foi por mim aconselhada a se inscrever no Curso Bloch de Comunicação, que eu havia recém-criado. Obtendo uma das principais colocações, foi logo contratada para trabalhar na revista Pais & Filhos, sob a direção do experimentado jornalista José Itamar de Freitas, na época também diretor da Enciclopédia Bloch (de lá saiu para a TV Globo, onde se tornou peça-chave na criação do programa Fantástico, até hoje no ar, com grande brilho).

Ana Maria hoje garimpa histórias da imprensa que enriquecem muito as lives que realiza, com muito sucesso. Na minha vez, precisei desencavar fatos vividos na redação da revista Manchete, da qual fui chefe de reportagem por oito anos, no período 1960-1968. Lembramos, com muita alegria, as histórias de Ronaldo Bôscoli, Fernando Pinto e João Luiz de Albuquerque, naquela loucura que era o relacionamento com os Bloch. Falei da importância do restaurante para atrair personalidades para a intimidade da empresa, como aconteceu no último jantar público do presidente Tancredo Neves, três dias antes da data prevista para a sua posse. Acostumado com aquilo tudo, o meu querido amigo Murilo Melo Filho costumava dizer que a Manchete era um restaurante que publicava revistas...

Ana Ramalho sabia de um fato meio escondido desse jantar. Quando chegou à bonita sede gráfica da Manchete, na capital da República, Tancredo me abraçou e disse essas palavras: “Vou precisar muito da sua ajuda mais pra frente.” Fui perguntar ao filho dele o que aquilo queria dizer. A explicação foi simples: “O papai queria colocar você no Ministério da Educação, mas não admitia pedir licença ao Brizola, que era o governador do Rio de Janeiro. Todos os Ministros tinham sido escolhidos com esse tipo de acordo, mas Tancredo não quis nenhum papo com Brizola. Assim, o ministério foi montado para durar um ano. Depois, ele mudará e, nessa mudança, você será o Ministro da Educação.” Tudo não passou de um sonho, com a doença e a morte de Tancredo.

Falamos também das comemorações do centenário do poeta João Cabral de melo Neto, famoso autor de “Morte e Vida Severina”. Em homenagem a Ana Maria, li um trecho do célebre poema para ela. Gostou muito.

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