Crônicas

Escola de Jornalismo
Arnaldo Niskier



Durante muitos anos, para se conseguir uma vaga de jornalista, numa das redações do Rio de Janeiro, era preciso que o candidato fosse dono de um forte “pistolão”. O popular QI (quem indica). Dentro desse estilo, assumi em janeiro de 1960 o cargo de chefe de reportagem da revista Manchete, no lugar do consagrado Darwin Brandão, que começou a sua carreira em Salvador (Bahia). Veio para o Rio trabalhar sob o comando de Oto Lara Resende.

Logo de início, quando quis montar a minha equipe, senti que era necessário criar o Curso Bloch de Comunicação, então pioneiro em iniciativas do gênero. Havia uma espécie de vestibular para a seleção de 30 jovens, de ambos os sexos, e assim valorizamos o critério da meritocracia para as contratações.

Num dos primeiros cursos, inscreveu-se e passou de forma brilhante a estimada Anna Ramalho. Após a conclusão, foi-lhe destinada uma vaga na revista Pais & Filhos. Foi o início da sua bela e consagrada carreira.

Em live realizada sob o comando de Luís Erlanger, ela contou pormenores preciosos da sua experiência jornalística, que alcançou a culminância no Jornal do Brasil e em O Globo, onde atuou nas respectivas colunas sociais. Teve o privilégio do convívio com jornalistas como Zózimo Barroso do Amaral, Fernando Zerlottini, Carlos Leonam e, segundo ela, o maior de todos que foi Ricardo Boechat, infelizmente falecido precocemente num desastre aéreo. Boechat era um repórter nato, esforçando-se ao máximo para obter o que chamamos de “furo de reportagem”. Por isso mesmo, a sua coluna era apreciadíssima.

Anna Ramalho teve uma experiência de televisão, trabalhando com Erlanger, a quem chama carinhosamente, ainda hoje, de “meu chefe”. Dona de um texto límpido, direto, sem floreios desnecessários, marcou presença de muito respeito na seara jornalística.

Bisneta do historiógrafo cearense Capistrano de Abreu, Anna sempre foi uma digna batalhadora. Perdeu o pai muito cedo. Voltando a Bloch Editores, registre-se que trabalhou nos momentos iniciais e bem sucedidos da revista Pais & Filhos. O seu comandante era nada menos do que o grande jornalista José Itamar de Freitas, natural de Miracema (RJ) e que depois seria, por muitos anos, editor-chefe do programa “Fantástico”, da TV Globo. Ele foi vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo. Foi essa a grande escola de Anna Ramalho.

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