Crônicas

O que dizem os aprendizes
Arnaldo Niskier



O Instituto Datafolha realizou um levantamento para o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), com o objetivo de levantar as principais expectativas dos egressos do Programa Aprendiz Legal. Foram 1.809 entrevistas com aprendizes que concluíram o programa em 2016 e 2017, e o resultado permitiu que fossem traçados o perfil dos jovens e o impacto da iniciativa nas suas vidas. Além disso, a pesquisa identificou aspectos importantes, como renda familiar, local de moradia, idade, sexo e escolaridade, que ajudaram a entender porque esse projeto tem sido fundamental para a inserção no mercado de trabalho e para a melhoria da qualificação profissional.

O perfil sociodemográfico dos egressos do programa, revelado pela pesquisa “Aprendiz CIEE – O que disseram os jovens que concluíram o programa”, mostra dados preciosos, dos quais podemos destacar: 50% são homens e 50% são mulheres; 52% têm nível médio de escolaridade e 48%, nível superior; 53% estão estudando atualmente; 53% estão trabalhando, e desses, 37% formalmente; e 54% possuem renda familiar de até três salários mínimos, e 25%, de três a cinco salários mínimos.

Chama muito a atenção um item da pesquisa: 43% dos aprendizes formados pelo CIEE estão cursando o ensino superior, uma média superior à nacional. Isso demonstra que eles entenderam uma equação importante para as suas vidas: quanto maior a qualificação, maiores são chances de conseguir uma profissão no mercado. Quando se sabe que muitos desses jovens pertencem às camadas sociais mais vulneráveis, esse fato merece destaque. Sem falar que representa também uma vitória sobre a evasão escolar, um dos graves problemas do nosso ensino.

Graças ao trabalho do Datafolha, foi possível observar que a questão da falta de segurança é uma constante e precisa urgentemente ser tratada pelas autoridades brasileiras. Nos bairros onde residem, 28% dos jovens egressos do programa já sofreram alguma forma de violência. Numa análise isolada, 20% foram vítimas de roubo, 16% de furto e 3% de agressão física.

O bom desempenho do programa, que tem o amparo da Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000), ajuda na diminuição dos números negativos da chamada “geração nem-nem” (os jovens que não estudam e nem trabalham, por força da falta de oportunidades no mercado de trabalho e das dificuldades em retornar aos sistemas de ensino).

Como presidente do CIEE-RJ, muito me animou um aspecto apurado pelo Datafolha: 31% dos jovens declararam, espontaneamente, que conquistaram o emprego atual por intermédio do CIEE, contra 19% (indicação de amigos), 12% (distribuição de currículo) e 7% (indicação de parentes), sem falar nas outras opções menos votadas. Isso demonstra o acerto da política que tem sido implementada pela nossa direção nacional. Não é à toa que os próprios aprendizes avaliam de forma positiva o programa: numa escala de 0 a 10, eles deram a nota 9,1.

Falando ainda sobre o reconhecimento do trabalho do CIEE, vale a pena registrar as principais expectativas apontadas pelos entrevistados para os próximos cinco anos: concluir uma formação superior (71%) e ter uma carreira profissional (65%). Isso é um estímulo para que o CIEE tenha a oportunidade de reforçar o seu papel de ser um dos principais canais responsáveis por abrir a porta do mundo do trabalho a jovens e adolescentes. Esse trabalho tem sido muito bem estruturado pela entidade, que ajuda as empresas a renovar seus quadros de funcionários e colabora para que o país combata a recessão econômica e retome o caminho do desenvolvimento.

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