Crônicas

Primeiro, professores qualificados
Arnaldo Niskier



Desde que foi criada, em 1966, a Fundação Educacional Dom André Arcoverde (ele foi bispo diocesano de Valença, de 1925 e 1936) teve como prioridade, em todos os seus cursos, formar professores qualificados, multiplicadores de novos conhecimentos e posturas. Assim pôde organizar melhor os seus cursos, a partir da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença, com as suas licenciaturas em Letras, Pedagogia, História e Matemática.

Com essa mesma determinação, em 1968, vieram os cursos de Medicina, Odontologia, Direito e Ciências Econômicas, fundamentais para a região, reunidos em 1985 no que hoje se denomina Centro de Ensino Superior de Valença (CESVA), dirigido com muita competência pelo educador Antônio Celso Alves Pereira, que se destacou antes como eficiente reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e que é membro do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Sobre as atividades do curso de Medicina, temos um depoimento a dar. Corria o ano de 1996 e eu pertencia aos quadros do Conselho Nacional de Educação. Num dia de reunião, fui chamado ao gabinete do presidente do grande órgão normativo da educação nacional. O presidente Fernando Gay da Fonseca estava recebendo a visita de dois eminentes educadores, Clementino Fraga Filho e Adib Jatene. Falava-se dos cursos de Medicina existentes no país, entre os quais os de Valença, Vassouras e Souza Marques, os três com sede no Rio de Janeiro. Quando cheguei, levei um susto, pois os médicos visitantes propunham simplesmente fechar os cursos de Medicina, sob a alegação (sem nenhuma comprovação) de que eram ineficientes. Queriam medida extrema e rápida. Expliquei que todos provinham de longas démarches. Se era demorado autorizar, não se poderia fechar assim de repente. Era preciso estudar a matéria com muito cuidado.

Os visitantes não ficaram satisfeitos com a minha resposta. Um deles chegou a escrever artigo agressivo no antigo Jornal do Brasil. Embora procurasse, não tive direito de resposta.

O CNE tinha tomado a decisão de não autorizar nenhum novo curso de Medicina, mas não queria também violentar o sistema. Os três cursos objeto daquela visita foram mantidos e prestam inestimáveis serviços às regiões em que se encontram inseridos. No caso de Valença, o seu curso de Medicina, fundamental para a região, hoje tem nota 4 (do máximo de 5) na sua renovação de reconhecimento, mesma nota, aliás, dos seus cursos de Odontologia e Enfermagem.

O professor Antônio Celso se refere com entusiasmo a outros cursos da sua instituição que fazem sucesso, como o de Tecnologia de Processamento de Dados, criado em 1988, um dos primeiros da região e um disseminador das novas e importantes tecnologias da informação, além do curso de Medicina Veterinária, criado em 1995, inserido numa região em que se situa a maior bacia leiteira do Rio de Janeiro. É uma atividade que merece o nosso respeito e admiração.

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