Crônicas

Vacina da Sabedoria
Arnaldo Niskier



Nossos olhos e ouvidos acostumaram-se com a força sonora de palavras como pandemia e coronavírus. Os males causados alcançaram indiscriminadamente o mundo, com um morticínio recorde. Em meio a esse sofrimento, ocorreu-nos propor um estudo original: a criação da vacina da sabedoria. O Laboratório Cucafresca reuniria os seus especialistas para inventar uma vacina dotada de todos os requisitos necessários de eficácia. Ela acabaria com a ignorância existente no mundo. Bastaria uma dose e tudo estaria resolvido.

Enquanto isso não chega, devemos realizar campanhas para a valorização da leitura em nossas escolas, especialmente na educação básica. Algumas experiências já estão sendo realizadas. Podemos afirmar que os resultados são claramente positivos.

Pode-se dar o exemplo da Maratona Escolar, que nasceu na antiga revista Manchete, por nossa iniciativa em Bloch Educação. Escolhíamos um autor brasileiro por ano e os alunos de todo o Brasil escreviam sobre sua vida e obra, num limite de 30 linhas, e o júri de membros da Academia Brasileira de Letras escolhia o vencedor, que era agraciado com um troféu criado pelo artista Agostinelli, o diploma, a publicação do seu trabalho na revista e um valor apreciável em dinheiro (numa espécie de bolsa de estudos).

Como é natural, começamos com Machado de Assis, o pai da nossa literatura, com um trabalho sobre uma das suas grandes obras (“Memórias póstumas de Braz Cubas”), seguindo-se José de Alencar, com “O Guarani”, Monteiro Lobato e a turma do Sítio, Euclides da Cunha (“Os Sertões”), Castro Alves (“Espumas Flutuantes”) etc.

Recebíamos milhares de contribuições. Foi uma iniciativa amplamente vitoriosa, patrocinada primeiro pela Petrobrás e depois pela Caixa Econômica Federal. Não se poderia desejar nada melhor em matéria de incentivo à leitura. O depoimento dos professores garantia isso.

Mais recentemente, por iniciativa da Consultor – Assessoria de Planejamento Ltda, transferimos o concurso para a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com apoio da Fundação Cesgranrio (dirigida pelo professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira). Foram mais dois anos de amplo sucesso. Os vencedores, além dos prêmios, foram convidados para repetir os seus argumentos no programa “Identidade Brasil”, no Canal Futura, uma audiência garantida de milhões de espectadores (o programa é em rede nacional).

Esses eventos são importantes para valorizar o hábito de leitura junto aos nossos estudantes.

O projeto importa importantes desdobramentos, como o sugerido pelo professor e acadêmico Antônio Torres, e que já se encontra em realização.

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