Crônicas

Entre Bruxas e Fantasmas
Arnaldo Niskier



A variedade é grande. A  cada ano. Escolhe-se um nome de relevo de literatura brasileira para ser estudado pelos jovens da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. É um concurso de redação, que tem o apoio da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Antares de Cultura.

Assim, foram objetos da promoção escritores como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Coelho Neto, Orígenes Lessa, Rachel de Queiroz, Manuel Bandeira, Carlos Drumond de Andrade e outros mais, que serviram de pretexto para exercitar a criatividade dos nossos jovens estudantes.

Este ano do coronavírus  tudo vai ser diferente. O meio virtual será predominante na “Ciranda com autores”. O  nome  escolhido  é o de Maria Clara Machado, uma das maiores autoras brasileiras de literatura e teatro infantil. Quem não se lembra de “Pluft, o fantasminha” ou o “rapto das cebolinhas” ou ainda do apreciado “A bruxinha que era boa”? Todos levados à cena no Teatro Tablado, na Lagoa, onde Maria Clara dava vida às suas criações. Bruxas e fantasmas ganhavam vida nas peças encenadas.

Vezes sem conta, cumprindo minhas obrigações de pai extremado, levei meus três filhos para aplaudir essas criações. Era para crianças, mas quem diz que os adultos não saíam do teatro encantados com a magia desses geniais espetáculos com a máfia desses geniais espetáculos?

Outro dia li que a escritora Inglesa Agatha Christie escreveu nada menos de 80 livros, todos com muito sucesso. No caso de Maria Clara Machado foram 30, livros que se transformaram em peças teatrais, primeiramente encenadas  na escola em que se transformou o Tablado.

É hora de homenageá-la. A garotada vai colocar a imaginação para funcionar. O importante, no caso, é que as redações farão conexão com os sonhos, onde se localiza a esperança. Sempre é muito saudável quando estimulamos os nossos jovens a escrever, tarefa naturalmente precedida pela indispensável leitura. É uma forma também de valorizar os nossos mitos literários, que não podem e nem devem ser esquecidos. Maria Clara Machado continua viva.
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