Crônica: A inteligência artificial nas escolas

Arnaldo Niskier - 2026-03-06

Uma consequência  natural do avanço da inteligência artificial foi a sua chegada ao campo da educação. As aulas digitais já estão sendo produzidas, especialmente em São Paulo, com a adoção de aulas digitais. Tudo sob a supervisão humana. De forma objetiva, a IA ajuda nas correções de provas ou elaborando questões. Mas com muitos erros que ainda são inadmissíveis. Nas Artes, são criados roteiros e histórias fictícias e até na elaboração de visitas. Em Biologia há uma busca de conceitos da disciplina e na geração de imagens de células e plantas. No Português, com a atenção devida às questões de direitos autorais, a IA ajuda na correção de redações e diferentes estilos de textos. No Inglês, com a criação de rubricas de avaliação ou na geração de exercícios de gramática e pesquisas. Em Filosofia, com a prática de duas dissertações, na primeira pode ser usado abertamente o ChatGPT. Mas na segunda, ele é convidado a refletir e criticar o próprio texto anterior. E na Matemática, a IA soluciona problemas. Se gera um resultado errado, a turma é convidada para  identificar o problema.
 
Muitos professores utilizam a IA em sala de aula. Para aprimorar conhecimentos específicos, construir planos de aulas, elaborar novas atividades, planejar avaliações e adaptar as aulas para as necessidades específicas dos alunos. O maior benefício dessa conquista é a economia de tempo.
 
Em São Paulo, o Liceu de Artes e Ofícios e o Colégio Bandeirantes  preparam manuais para professores e alunos do 6º ao 9º anos do ensino médio e esse projeto também andou muito bem no trabalho intitulado &ldquoAulas Digitais&rdquo, em Jundiaí, sob o comando dos professores Marcelo Fattori e Luana Muller Fattori. Sob  o título &ldquoCultura de Cidadania Digital&rdquo eles explicam o significado de uma série de termos, como Grooming, que é a prática de aliciamento de menores via internet, inteligência artificial, que é a área que desenvolve equipamentos e programas que buscam reproduzir o comportamento humano sextorção, é o crime em que uma pessoa ameaça a outra para não vazar conteúdos íntimos sexting, que é a exposição de imagens e vídeos íntimos cyberbulling, que é um dos riscos dos jogos online.
 
Professores da Universidade da Califórnia estão preocupados com a segurança de sistemas que podem colocar em risco a espécie humana. A IA achará você em qualquer lugar. Como afirma o &ldquoFinancial Times&rdquo, duas empresas hoje se preparam para lançar em breve modelos de máquinas pensantes, dotadas das seguintes qualidades: podem refletir, planejar ações e ter memória. Poderão equipar ou superar a capacidade humana. Assim se poderá enfrentar a pobreza, a fome, alterações climáticas, guerras. No governo de São Paulo procura-se produzir conteúdo digital na rede de ensino, embora se tenha a plena convicção de que será impossível substituir o professor em sala de aula. Devemos estar preparados para tamanhas modificações.
 
Apesar de afirmar que o Brasil não precisa da IA, o presidente Lula promete lançar ainda este ano uma regulação para Inteligência Artificial. O que se sabe é que, usada corretamente, a IA pode ajudar a restaurar no mercado de trabalho as vagas de ensino médio. Na classe média, as vagas foram esvaziadas pela automação e pela globalização. A IA abre novas perspectivas. Médicos, advogados e engenheiros podem se valer dessa tecnologia fundamental para trabalhar com novas perspectivas. Também para professores universitários. Disso pode  resultar melhores salários. Nos Estados Unidos, estima-se que 300 milhões de empregos poder ser afetados pela nova tecnologia. É uma tecnologia complementar ao trabalhador.
 
Aumentou a produtividade de todos os trabalhadores, mas os mais  qualificados e experientes se beneficiaram mais.
 
Luíza Trajano, presidente do Magazine Luísa, considera a ferramenta fundamental. &ldquoNão vai demorar tempo para que ela seja importante para o Brasil.&rdquo A IA é boa e perigosa. Depende do uso que dela se faça.
 
O uso da inteligência artificial tem sido popularizado. O seu uso recomenda-se que seja feito com a devida cautela. É o papel em que a missão dos professores se torna  imprescindível. Em São Paulo, por exemplo,  e seu uso já se encontra em andamento, inclusive para planejar aulas.
 
Uma prova de que o assunto ainda gera confusão foi a decisão dos dirigentes do Prêmio Jabuti de vetar as obras construídas com o auxílio da IA. Em compensação, foi criado o Prêmio Jabuti Acadêmico, com 27 categorias.
 
Para que os alunos aprendam mais e melhor precisamos de bons roteiros. Planejamento de disciplinas e preparação de aulas, com abordagens multimodais, como se faz hoje com muito sucesso na China. Redações hoje podem ser corrigidas pela IA isso tudo mesmo sabendo que criatividade e ética são elementos insubstituíveis nos materiais didáticos. Hoje, isso influi decisivamente nas aulas programadas pelas Secretarias de Educação.
 
A expressão Inteligência Artificial foi cunhada em 1956, durante uma conferência na Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, quando cientistas trabalhavam na criação de um cérebro artificial. É possível pensar que em 2040 máquinas tenham 50% de chance de alcançar o nível da inteligência humana, e 90% até 2075. Nada disso terá um retrocesso.
 
As chamadas IAS generativas, que aprendem a produzir textos novos a partir da análise de padrões usados por pessoas para conectar palavras, ganharam repercussão após a criação do chatGPT, lançado em novembro de 1992. O conteúdo foi gerado por um sistema computacional inteligente.
 
A legislação, quando vier, deve estar conectada à pesquisa e à indústria, devendo ter um tempo adequado para a sua devida  implementação.
 
Extrapolando para o universo, a Inteligência artificial ajuda a classificar mais de 160 mil galáxias visíveis nos céus do hemisfério sul, o que dá bem a dimensão da sua magnitude. A sua regulamentação deveria estabelecer um equilíbrio entre reduzir os riscos de mau uso, evitar a discriminação de grupos minoritários da população e garantir a privacidade e transparência dos usuários. Brasil, Canadá e países europeus hoje elaboram legislação para reduzir os riscos de mau uso de programas e aplicativos nessa área.
                                   
Estamos espantados com a velocidade com que a tecnologia se espalhou pelo mundo. Mas a Open AI, a empresa do ChatGPT , já tem sete anos. É vital se apaixonar pelo problema, não pela solução. Hoje, há falta de profissionais qualificados para determinadas atividades. Faltam engenheiros e até se pensa em importar engenheiros indianos. Ganharíamos uma extraordinária transferência de conhecimentos.
 
O próximo grande sucesso virá do agro. Otimizar  um sistema de irrigação, de fertilização ou o uso de produtos químicos graças a ferramentas de agricultura digital podem representar o futuro. É o caminho a seguir.
 
Devemos ter os cuidados de evitar fraudes autorais. Não se pode citar pensamentos alheios sem o devido crédito. Se você repete coisas que já foram ditas certamente não está contribuindo para o avanço da ciência.
 
Relatos de plágio remontam a Antiguidade, como aconteceu inclusive com o clássico 'Os lusíadas', que teria se baseado na 'Eneida'. Hoje, o ChatGPT cria novos conteúdos a partir de informações de origem humana. Copia-se para economizar tempo, mas isso é desonesto.