Crônica: Grandes goleiros

Arnaldo Niskier - 2026-04-16

O Brasil, em sua história futebolística, teve sempre grandes goleiros. Podemos lembrar o que representou Marcos de Medonça no gol do América Futebol Club, no início do século e depois no Fluminense. Foi uma figura épica do nosso futebol. Hoje, tornou-se comum os goleiros defenderem pênaltis, como se isso fosse fácil, e não é. A verdade é que eles hoje têm uma grande envergadura. É escolher o canto e pular certo. O sucesso está garantido.

O  América, já citado, foi campeão carioca e contou com a cooperação de Pompéia, que defendeu o seu gol. Era um goleiraço, enorme, com sua estrutura. Mas na decisão do campeonato de 1960 quem jogou foi o arqueiro Ari, que veio do Flamengo, e se houve muito bem. Não fez sentido a ausência do titular.

O Fluminense teve, por muitos anos, o goleiro Castilho, que chegou à seleção brasileira. Era excepcional em suas pegadas. Foi titular com absoluta propriedade. Ganhou o apelido de &ldquoLeiteiro&rdquo em virtude das usas defesas.

Outro que deixou nome na praça foi Manga, no Botafogo. Ele adivinhava o canto onde o atacante adversário ia colocar a bola, sobretudo nas cobranças de penalidades máximas. Como evitar isso?

No supercampeonato de 1946 o Fluminense contou com a ajuda, no gol, de Robertinho. Fazia um trio com Gualter e Haroldo, e mais a linha media com Pascoal, Teleska e Bigode. Na linha apareciam Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues. O técnico foi Gentil Cardoso, supercampeão com a famosa frase: &ldquoDêem-me o Ademir e eu lhes darei o título.&rdquo Naquela época, o Flamengo tinha uma defesa constituída por Jurandir, Nilton e Norival. Linha Média com Biguá, Bria e Jaime. Eram grandes craques do futebol carioca. No ataque figurava o inesquecível e insubstituível Zizinho.

No Botafogo, quando eu freqüentava os campos de futebol, o ataque contava com craques como Otávio (filho da escritora Helena de Moraes) e Heleno de Freitas, que acabou sua carreira tristemente no América, onde jogou somente uma partida contra o São Cristovão, no Maracanã. Foi um fim melancólico. Assisti a esse jogo.

O América, além do Pompéia, deu ao futebol carioca craques como Maneco (o Saci Pererê), César e Esquerdinha. Também podemos citar o goleiro Osni do Amparo (irmão de Eli, do Vasco) e Hilton Viana, um incrível batedor de pênaltis, o que era uma festa no Torneio Início. São lembranças que não podemos nos esquecer.