Crônica: Como virei torcedor do América F. C

Arnaldo Niskier - 2026-10-02

Estou com 91 anos de vida e sempre me dediquei ao esporte. Ainda garoto, com menos de 10 anos, morando primeiro na Abolição e depois no Riachuelo, era torcedor apaixonado do Fluminense. Em 1944, meu pai transferiu a família para São Paulo, indo morar na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, nº 3196. Como aluno do Grupo Escolar Rodrigues Alves, passei a torcer também pelo Corinthians Paulista.

Dois anos depois, retornamos ao Rio de Janeiro e fomos morar na Rua Haddock Lobo, nº 290, na Tijuca, muito próximo da sede do América Futebol Clube. Foi ali que minha vida esportiva tomou um novo rumo. Tornei-me sócio-atleta do AFC. Iniciei minha trajetória como nadador infantil, disputando provas nas categorias infantil, infantojuvenil, juvenil e aspirante. Treinava diariamente e tinha como especialidade o nado livre.

Durante esse período, nadei durante três anos e conquistei 100 medalhas. Infelizmente, uma infecção no ouvido interrompeu minha carreira na natação e passei a me dedicar aos esportes terrestres. Cheguei ao time infantojuvenil do América e fui titular do América Júnior. Foi ali que conheci e me tornei amigo de Mário Jorge Lobo Zagallo, que era alguns anos mais velho do que eu.

O jornalista João Máximo costuma contar a história de que Zagallo teria deixado o América para jogar no Flamengo porque eu era melhor do que ele na ponta esquerda. Essa versão, entretanto, não corresponde aos fatos. Zagallo deixou o clube juntamente com outros jogadores talentosos. Eu ainda atuava na equipe infantojuvenil e naturalmente subiria de categoria com a promoção daqueles atletas. Mesmo assim, João Máximo voltou ao assunto em O Globo, de 2 de março de 2014: &ldquoAntes de disputar o campeonato pelo juvenil do Flamengo, Zagallo andou pelo América. Diz a lenda, não confirmada por nenhum dos dois, que ele só foi parar na ponta esquerda porque o meia-esquerda era muito melhor: Arnaldo Niskier...&rdquo

Por influência do treinador Roberto Renato de Castro, técnico da equipe principal de basquete do América, passei a integrar também o time juvenil de basquete do clube. Disputei três campeonatos cariocas vestindo a camisa rubra. Foi nesse período que deixei definitivamente minha antiga simpatia pelo Fluminense para tornar-me um fiel torcedor do América. A convivência diária com atletas, dirigentes e funcionários do clube tornou essa mudança natural e definitiva. Também disputei um Campeonato Carioca de voleibol como levantador.

Encerrada minha passagem pelo basket do América, transferi-me para o Clube Municipal, que disputava a segunda divisão do campeonato carioca. Tornei-me capitão da equipe e vivi uma das maiores emoções da minha carreira esportiva.

Conquistamos o título estadual. Em reconhecimento, recebi o título de sócio laureado do Clube Municipal, distinção que conservo com muito orgulho.

Tive ainda a honra de participar do desfile de inauguração do Estádio do Maracanã, em 1950, representando o América como nadador. Foi uma emoção inesquecível participar daquele momento histórico. Joguei também algumas partidas no Maracanã defendendo a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da então Universidade do Distrito Federal, posteriormente Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Outra equipe que defendi foi a do Clube Macabeus, da Tijuca. Minha ligação com o esporte prosseguiu também no jornalismo. Fui repórter esportivo da Última Hora e posteriormente da Manchete Esportiva. Também colaborei com a Gazeta Esportiva de São Paulo.

O esporte marcou profundamente minha vida. Como atleta, vivi momentos inesquecíveis nas piscinas, nas quadras e nos campos. Como jornalista, acompanhei de perto grandes acontecimentos esportivos. Mas foi no América Futebol Clube que encontrei minha verdadeira casa esportiva. Ali construí amizades para toda a vida, vivi experiências inesquecíveis e me tornei, para sempre, um fiel torcedor rubro.