Crônicas

Epicuristas e céticos
Arnaldo Niskier



Na televisão, graças à Netflix, podemos assistir à série intitulada “Merlí”, com imenso agrado. Como vimos, é um professor de filosofia, que tem maneiras próprias de lecionar, agrada muito aos seus alunos, mas se envolve emocionalmente com outros professores e pais de alunos, gerando embaraços naturais.

Depois de citar Heráclito (“devemos esperar o inesperado”), cuidou de abordar as relações entre Filosofia e Ciência, atraindo a atenção dos seus alunos do Instituto Angel Guimerá, em Barcelona (escola média). Para ele, a Filosofia é a ciência dos objetos do ponto de vista da totalidade, enquanto as ciências são os setores parciais do ser. Temos uma divisão da Filosofia em duas partes: ontologia ou teoria dos objetos conhecidos e gnoseologia (vem do grego que significa gnósis, sapiência/saber), que é o estudo do conhecimento dos objetos.

Merlí passa por Michel Foucault (1926-1984) e aborda as difíceis relações entre pais e filhos. Recebe a reclamação do filho Bruno: “Você falou em Foucault para me ferrar?” Um outro aluno passa a usar piercing e recebe a crítica dos pais com a constatação: “Ninguém tem uma família perfeita.”

Merlí chega a Epicuro, filósofo do hedonismo, que trabalhava a ausência de preocupações: “Se você não tem amigos, nunca será feliz.”O infeliz Ivan, que vivia enclausurado, conclui que “é preciso ser popular para ter amigos”. E resolve mudar de atitude.

Na casa de Mônica, uma linda morena, acontece uma festa para comemorar os 18 anos de Pol. Repete-se Epicuro: “Para ser feliz basta não ter fome, nem sede.”

Chega a vez dos filósofos céticos: “Eles não desejam nada além do silêncio.” Não se envolviam com a realidade. Merlí, a chamado, vai à festa na casa de Mônica, para salvar um dos seus alunos que entrou em coma alcoólico. Para ser atendido no hospital, faz-se passar por seu pai e é duramente criticado. A mentira não tem perdão.

Na aula, explica de forma competente o que é a prática da epokhé, suspensão do juízo, criada pelo filósofo grego Pirro. Era quando não se desejava nada além do silêncio, mas sem se distanciar completamente dos fatos.

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