Crônicas

Wittgenstein e a lógica Moderna
Arnaldo Niskier



O “Tratado Lógico-Filosófico”, de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), tornou-se uma obra clássica da lógica moderna. Para ele, o mundo se resolve em fatos e toda filosofia é crítica. Assim, o método correto em Filosofia seria nada dizer a não ser o que pode ser dito, isto é, as proposições das ciências naturais – algo, portanto, que nada tem a ver com a Filosofia.

Sua grande obra, datada de 1921, teve enorme influência em Viena. Caracterizou as leis lógicas como “tautologia”. Foi a origem do cálculo não clássico.

Ele afirmava “além do mundo dos fatos representado por proposições, só existe o místico, que não se diz, mas se mostra”. Achava que os seus pensamentos eram intocáveis e definitivos. Para concluir que “o que não se pode falar, deve-se calar.”

Em “Investigações filosóficas”, explica o que é um jogo: “Os jogos de linguagem figuram muito mais como objetos de comparação que, através de semelhanças e dessemelhanças, devem lançar luz sobre as relações da nossa linguagem. É impossível existir uma linguagem só para mim. O uso das palavras exige uma justificação que todos compreendam: “Sem a linguagem não poderíamos influenciar outros homens, desta ou daquela maneira. Sem o uso da fala e da escrita os homens não poderiam se entender uns com os outros.”

Utiliza-se do que ele chamava de método da análise-demonstração, que considerava exclusivo, para concluir que “a Filosofia não deve, de modo algum, tocar no uso efetivo da linguagem: em último caso, pode apenas descrevê-lo, pois não pode fundamentá-lo. A Filosofia deixa tudo como está. Ela simplesmente coloca as coisas, não elucida nada e não conclui nada. Como tudo fica em aberto, não há nada a elucidar. Pois o que está oculto não nos interessa.”

 Wittgenstein dizia que não conhecemos os limites, porque nenhum está traçado. Mas se pode traçar um limite quando se tem uma finalidade particular. Os seus conceitos repercutiram no mundo desenvolvido.

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