Crônicas

Recordações Universitárias
Arnaldo Niskier



O confinamento obrigatório, em virtude da crise do coronavírus, proporcionou a chance de grande recordações. Passei, praticamente, toda a minha vida universitária na Universidade do Distrito Federal (depois, Universidade do Estado da Guanabara (UEG), durante um tempo, Universidade do Rio de Janeiro, até chegar à atual denominação de UERJ).

Durante 26 anos, pertenci ao Conselho Universitário, como presidente da Associação dos Diplomados e, depois, fui diretor do Centro de Educação e Humanidades, nomeado pelo reitor João Lyra Filho. Apesar de não ser torcedor do Botafogo (sempre fui América), dele fui um bom amigo e o visitava com certa frequência, aos sábados pela manhã, quando recebia figuras como Zagallo, João Havelange e Wilson Choeri. Era como se constituíssemos uma família, na educação e no futebol brasileiro. Participei da elaboração do livro “Lições da Copa”, de Mário Jorge Lobo Zagallo, em que o mestre Lyra deu as pinceladas finais, na obra editada pelas Empresas Bloch.

Enquanto faço essas lembranças, toca o telefone. É o meu amigo, advogado Sérgio Bermudes, preocupado com a nossa saúde. Digo o que estou fazendo e ele adverte: “Não esqueça de falar no reitor Haroldo Lisboa da Cunha”. Explico que não há como esquecer o grande construtor da UERJ. Ele foi meu professor de Análise Matemática, no curso que fiz.

Há outros reitores dos quais devo me recordar: Oscar Tenório (nos tempos da reitoria situada no Solar da Marquesa de Santos), Caio Tácito (advogado brilhante). Ney Cidade Palmeiro (a quem devo o convite para lecionar Geometria Analítica na UERJ), João Salim Miguel (que foi meu professor de Física) e Charley Fayel de Lyra. Todos muito competentes e que levaram a Universidade a se destacar como uma das principais do país.

Vejo, na televisão, uma declaração do atual vice-reitor: “Estamos mobilizando a UERJ para o voluntariado na pandemia. Podemos chegar ao número desejado de 270 colaboradores. Quando passamos por dificuldades, em 2006/2007, tivemos a ajuda da comunidade. É hora de retribuir.”

Como vice-chanceler, nos períodos em que fui Secretário de Estado, tive a chance de colaborar junto aos governadores da época, solicitando a liberação de créditos suplementares. Isso foi feito com sucesso.

Agora, é a nossa vez de ajudar. O Hospital Universitário Pedro Ernesto, ligado à Faculdade de Ciências Médicas, constitui-se num importante centro de irradiação de cura. Estamos felizes pela ajuda.

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