Crônicas

A profissão do Pedagogo
Arnaldo Niskier



Estamos nos acostumando aos sinais da modernidade. Ora é uma live, outras ocasiões um zoom, agora chegou a vez do webinar, que é uma espécie de seminário online. Foi patrocinado pelo CIEE/SP, sob o comando de Marcelo Gallo, com a nossa participação e a de Maria Helena Guimarães e Francisco Borges. O tema era o futuro da profissão de pedagogo, bastante oportuno.

É preciso fazer muita coisa para resgatar as questões ligadas ao magistério. A começar pela atração por essa profissão, que está numa baixa terrível. Dos jovens candidatos ao Enem, que são mais de 6 milhões, só 2% demonstraram interesse pela carreira. Isso se deve ao seu baixo status social e às remunerações incompatíveis. Se compararmos com o que acontece em outros países, como o Japão, por exemplo, em que os mestres ganham mensalmente algo em torno de 2 mil dólares, ficamos numa distância abissal.

Alimentar de recursos os nossos 5.500 municípios é uma providência elementar, como nos disse recentemente o ex-reitor Cristovam Buarque. Não se vai reformar a educação sem dar prioridade ao ensino fundamental. Se vamos ter um novo normal, como não imaginar que deveremos ter igualmente “uma nova educação”, no período da pós-pandemia? Sempre carente de recursos, seria inimaginável supor que haveria no país dinheiro para o bem sucedido auxílio emergencial. Então, é preciso que as autoridades econômicas se preparem para abastecer os cofres públicos de dinheiro para enfrentar com sucesso esses novos tempos.

Devemos valorizar a profissão de pedagogo, com uma alentada revisão dos aspectos essenciais da sua formação. A trilha formativa prevista com inovações passou pelos estudos do Conselho Nacional de Educação e o novo professor exercerá um notável papel, com a sua indispensável curadoria de conteúdos, como bem assinalou o especialista Francisco Borges.

Enquanto isso, o sistema paulista pula na frente, criando condições de valorização do docente, a partir da existência do chamado “técnico de educação”. Surgirão novas competências e um aprendizado permanente. Temos de nos acostumar com essa nova formação de professores, com as medidas previstas pelo Conselho Nacional de Educação, a partir de 2021.

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