Crônicas

Josué e o baile da Ilha Fiscal
Arnaldo Niskier



O escritor Josué Montello nasceu no Maranhão e a vida toda demonstrou paixão pela sua terra natal. Quando completou 80 anos, com muito prazer, acompanhado da minha mulher Ruth, estive em São Luís, onde participei da inauguração da Casa de Cultura Josué Montello. Todos os livros da sua imensa autoria lá se encontram. Um espaço notável, que passou a ser utilizado, sobretudo, por estudantes de todos os níveis.

Josué viveu também muitos anos no Rio de Janeiro. Foi diretor da Biblioteca Nacional e um ativo membro da Academia Brasileira de Letras, da qual foi presidente. Realizou importantes reformas na Casa de Machado de Assis. Outra ocupação de relevo foi na redação da revista “ Manchete” . Praticamente todas as semanas visitava a publicação, dirigida por Justino Martins, com quem combinava a sua importante colaboração.

Montello escreveu livros que marcaram época em nossa literatura, como o “Diário da Manhã”, o “Diário da Tarde”, o “Diário do Entardecer”, e romances destacados como Aleluia, Cais da Sagração, Largo do Desterro, A luz da estrela morta, Noite sobre Alcântara, Os tambores de São Luís, Uma sombra na parede, etc. As cenas principais aconteciam no Maranhão.

Ele fugiu desse princípio quando escreveu “O baile da despedida”, com grande imaginação narrativa. Abordou o adeus da monarquia na grande noite da Ilha Fiscal. Seis dias depois, aconteceu a proclamação da República. Foi um período muito intenso da nossa crônica política.

De Josué, disse Tristão de Athayde: “Entre os nossos romancistas consagrados, de todos os tempos, Josué Montello é um dos que de modo completo e magistral sabem traçar o plano de um romance.”

Com esse conceito foi convidado e aceitou ser adido cultural do Brasil na França, onde tive o privilégio de visitá-lo, no apartamento da Avenue Foch. Tinha belíssimas ligações com a Unesco e a intelectualidade francesa.

Mas, no seu “O baile da despedida”, via o Império em agonia, depois de 49 anos de comando do Imperador D. Pedro II. Em meio a polcas, valsas e mazurcas, ele parecia não desconfiar de nada. Parecia que os senhores de escravos estavam irritados com a Princesa Isabel, em virtude do 13 de Maio. É um livro para conhecer melhor a nossa história.

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