Crônicas

O futuro do sistema Híbrido
Arnaldo Niskier



A revista Veja, de 5 de agosto de 2020, publicou nas suas apreciadas Páginas Amarelas um artigo que desafiou a nossa atenção: “Aulas contra a chatice”. Aborda a vida e a obra do conceituado professor americano Salman Khan, conhecido como Sal, que criou uma Academia que se tornou a maior escola virtual do mundo, com mais de 100 milhões de alunos.

Um deles é Bill Gates, dono da Microsoft, igualmente apaixonado pelas virtualidades da tecnologia e o seu uso em salas de aula. Sal condena a convencional aula-palestra tradicional, em que o professor fala quase uma hora sem parar, numa chatice descomunal. Por que não intercalar atividades?

Sal é um estudioso da neurociência. Registra que a janela humana de atenção não dura mais do que dez minutos. Isso nos leva à ideia de que devemos ter aulas interativas, com os alunos se comunicando entre si e propondo soluções criativas. Abandonando a ideia de que se deve sempre dar um show, precisamos nos fixar também em motivações externas, num gigantesco esforço de conexão. O que não se pode é perder o hábito do estudo. Sal é muito claro: “Conhecimento se constrói sobre conhecimento.”

O gênio da Khan Academy entende que vamos ter que superar uma fase em que o trabalho de casa é muito importante. Os jovens terão que se virar praticamente sozinhos, inclusive na superação das habilidades socioemocionais de que se fala tanto. Com um aspecto que não pode ser olvidado: os estudantes precisam de interação social para chegar a uma educação completa.

Se existe uma boa conexão, os jovens estudantes podem acessar os melhores professores, onde quer que se encontrem. É por isso que se defende a presença da internet em todas as escolas, o que infelizmente hoje no Brasil não acontece. Isso embora se saiba que a tecnologia não substituirá os professores. Estes é que devem se preparar para trabalhar no sistema híbrido (o chamado ambiente online), de excepcional valor para a educação do futuro. Uma certeza podemos proclamar: depois da pandemia nada será como antes, especialmente no campo da educação.

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