Crônicas

Vencer os Demônios
Arnaldo Niskier



É sempre interessante, do ponto de vista intelectual, acompanhar o que pensa o escritor israelense Yuval Noach Harari, que já ultrapassou a venda de 25 milhões de livros, entre os quais os clássicos “Sapiens” e “Homo Deus”. Ele escreveu um belo artigo, na “Veja” do dia 27 de maio, intitulado “O mundo na encruzilhada”.É a respeito do que espera a humanidade após viver intensamente o período trágico da pandemia, com milhares de mortos.

Viveremos o fortalecimento ainda maior do nacionalismo ou a desejada cooperação global? É claro que torcemos pela segunda hipótese, com a participação aguardada do gigante chinês, onde tudo começou na província de Wuhan, no final do ano passado.

São diversificadas as hipóteses de cura: com a criação de anticorpos ou a sonhada vacina, que pode vir de estudos realizados no Estado de Israel, nos Estados Unidos (com o emprego de milhões e milhões de dólares) ou graças aos estudos de cientistas ingleses da Universidade de Oxford ou do tradicional Imperial College, que tive a honra de conhecer, quando lá estudou o meu filho Celso, especializando-se em Inteligência Artificial.

Harari garante que o mundo após a pandemia será diferente: “Se melhor ou pior, isso dependerá das nossas decisões de hoje. Temos escolhas a fazer.” Condena a opção pelo populismo nacionalista de alguns líderes mundiais. Defende a sociedade global, com a cooperação dos ricos, e critica a briga do presidente Donald Trump com a Organização Mundial de Saúde (OMS): “É claro que a OMS comete erros, mas sem ela como saber se o vírus pode estar sofrendo mutações ou se haverá uma segunda onda?”

A informação compartilhada passa a ser uma hipótese fundamental, o que nos diferencia do tratamento de epidemias anteriores, como foi o caso da gripe espanhola, que matou milhões de pessoas. Estamos muito próximos de identificar o vírus causador da Covid-19 e sequenciar o seu genoma. Crises como a do coronavírus podem despertar demônios da humanidade, mas isso é indefensável. O que devemos é acompanhar países como a Coréia do Sul, Taiwan, Nova Zelândia e Alemanha, no combate à crise. Agir dessa forma transparente é o mais recomendável. Vale o conselho para as autoridades brasileiras.

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