Crônicas

MÃE (Lembrança a D. Fany)
Arnaldo Niskier



Guardo de você as melhores lembranças

Dos sacrifícios e permanente carinho

Sua figura bonita e cheia de esperanças

Minha mãe, o meu doce caminho.

 

Veio de longe, para o calor tropical.

Para morar numa vila em Pilares

Ao lado do pai, uma companheira ideal

Eram assim os imigrantes, nos lares.

 

Quantas vezes a surpreendi

Vertendo um choro contido

Era dura a vida aqui

Um sofrimento seguido.

 

O pai, caixeiro viajante.

Meses incontáveis de ausência

Um verdadeiro judeu errante

Foi-nos imposta a abstinência.

 

Mas a mãe, sem arredar pé

Cuidava da casa e de cada rebento

Sem jamais perder a fé

Na verdade, o nosso sustento.

 

Veio a doença do pai

E ela sempre ao seu lado

Disse-lhe, um dia, ele se vai

Em Deus a mãe tinha confiado.

 

Tudo acaba nesse porfia

Fica no coração a saudade

Dessa longa agonia

Que não conheceu idade.

 

Se pudesse pedir ao destino

Algo muito especial

Queria ter composto um hino

Prá minha mãe sem igual.

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