Oscar da Educação


Arnaldo Niskier

Da Academia Brasileira de Letras e presidente honorário do CIEE/RJ
Encontro um velho educador e ele comenta comigo que soube da última do Ministério da Educação. Quer premiar as melhores escolas do país. Em todos os níveis. O seu comentário foi sábio: "O sistema precisa mais de dinheiro, e menos de prêmios."
O assunto foi debatido em reunião plenária da Academia Brasileira de Letras. A minha intervenção começou com o comentário de que o sistema federal de ensino estava em greve: "Há um descontentamento generalizado com os salários vigentes."
 
O MEC aponta para uma premiação de escolas e estudantes com melhor desempenho no Enem. Ganhariam o que o Ministro Carlos Santana chamou de "Oscar da Educação". Alguns Estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco já se movimentam com a intenção de valorizar os seus profissionais, com os cuidados de evitar o aprofundamento das indesejáveis desigualdades.
 
A situação da educação brasileira está se aproximando do termo "calamitoso". Já se viu que há incríveis carências desde o pré-escolar, passando pelo fundamental e registrando-se uma quantidade bastante expressiva no médio (é o caso da clássica geração nem-nem, ou seja, dos que não estudam nem trabalham). Com essas premissas, o que se espera do futuro dos nossos jovens? É importante considerar que só discursos não vão resolver o problema. É claro que se tivermos melhores indicadores socioeconômicos isso afetará a qualidade dos resultados em educação. Quando se anuncia que o PIB avançou haverá reflexos imediatos no campo sensível da pedagogia. Mas não se pode eternizar essa espera.
 
Tudo deve ter um começo objetivo. Nossos educadores focalizam a necessidade de uma profunda reformulação dos cursos de Pedagogia, há muito mantendo características ultrapassadas. É missão do Conselho Nacional de Educação rever esse projeto. Por que não se faz? Mistério profundo. Antes de vingar a badalação dos prêmios, deveria existir uma concentração em torno dessa matéria essencial. Advogamos convocação do CNE para essa tarefa. Não faltará a colaboração dos que olham a educação como uma prioridade de grande relevo.