Crônicas

EAD e a formação de professores
Arnaldo Niskier



Em atraente palestra, no Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o jurista Aurélio Wander Bastos discorreu sobre a importância da educação à distância na vida brasileira. Demonstrou que de um total de mais de 8,3 milhões de estudantes, no ensino superior, hoje quase dois milhões frequentam a modalidade de EAD, num processo acelerado de crescimento.

Tem suas preocupações, como o controle precário da qualidade do processo e a criação pouco cuidadosa dos polos espalhados pelo território nacional (trabalho criticado do Ministério da Educação).

Defendeu a tese de que existem enormes potencialidades na ministração de língua portuguesa e matemática, duas matérias essenciais, mas que não têm professores à altura. Uma das causas é a ausência de atrativos salariais (base de 2.600 reais por mês). Quem pode viver de modo razoável com tão pouco? Assim, não é de se estranhar que haja tão reduzida procura pelo magistério, de modo geral (cerca de 2% nas provas do Enem).

Medida recente merece ser elogiada. Foi a aprovação da Capes(MEC) para a realização de cursos de pós-graduação à distância (mestrado e doutorado). O que se deve é atentar para a qualidade dos mesmos.

Voltando à palestra de Aurélio Wander Bastos, ele foi bastante enfático quando citou que a verdadeira tragédia no Brasil é o seu ensino médio. É preciso tratá-lo com a prioridade devida.

Em termos de EAD, no mundo, os países que mais cresceram foram a Índia, a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Este último tem hoje mais de 10 milhões de estudantes de EAD, inclusive na famosa Universidade de Harvard e no MIT. No exterior há um movimento favorável à Universidade Aberta, o que infelizmente não acontece no Brasil. O assunto é estudado, nos meios oficiais, desde 1982, quando o então ministro Jarbas Passarinho encarregou o professor Newton Sucupira, na época diretor de relações internacionais do MEC, de evoluir na matéria. Mas com a posição contrária do Conselho Federal de Educação, pouco se avançou no trato do tema, embora se saiba do êxito da Open University da Inglaterra, por exemplo. A primeira delas nasceu em 1874, em Illinois, nos EUA. Portugal tem a Universidade Aberta desde dezembro de 1988.

O rádio foi fundamental no crescimento da EAD, no Brasil, como se espera essa expansão com o apoio da televisão e da internet. A base da EAD está na Constituição de 1988 (artigo 206), num trabalho complementado pela lei 9394/96, de iniciativa do então senador Darcy Ribeiro, ao qual fornecemos preciosos elementos em nome do Conselho Nacional de Educação, do qual fazíamos parte. Sempre tivemos em mira, como destacou o prof. Aurélio Wander, a excelência do professor, para que a modalidade se cristalizasse em nosso país.

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