Crônicas

Brasil, País de jovens
Arnaldo Niskier

Com muita honra, presido desde 2007 o Centro de Integração Empresa Escola do Rio de Janeiro (CIEE-RJ), instituição filantrópica e de assistência social, sem fins lucrativos, que insere por meio do estágio milhões de jovens estudantes no mercado de trabalho, com a parceria de empresas e órgãos públicos. Além dessa atividade principal, também investimos em diversas formas de aprendizado e em ações sociais, através de palestras, livros  e oficinas de capacitação que contribuem para a profissionalização e a promoção da cidadania de adolescentes e jovens.
 
O atendimento à juventude estudantil é de suma importância para o desenvolvimento do Brasil. Aqui no Rio de Janeiro temos 30 mil estagiários e 7.500 aprendizes que, além dos benefícios  que lhes são oferecidos, também têm acesso à qualificação para o mercado de trabalho, incluindo neste caso cursos online. O sucesso da iniciativa pode ser medido pelo banco de dados de 3.500 empresas cadastradas no CIEE-RJ, oferecendo no mínimo duas vagas por ano. As vagas podem ser destinadas a alunos que fazem faculdade ou ensino médio.
 
É louvável a participação do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) neste processo, através de acordo de cooperação técnica com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) nacional, promovendo capacitações de supervisores, visando a formação de multiplicadores municipais, que atuarão em oficinas com orientações sobre o mercado de trabalho para jovens em vulnerabilidade social. As ações previstas terão a participação da Secretaria Nacional de Assistência Social e da Secretaria de Inclusão Social e Produtiva, ambas vinculadas ao MDS, conforme foi     divulgado durante o seminário “A juventude brasileira e a assistência social”, promovido pelo CIEE, do qual tive o prazer de participar, representando o CIEE-RJ. Na oportunidade, entreguei o prêmio nacional do CIEE ao Ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame.
 
Será elaborada uma cartilha com as orientações sobre as metodologias e dinâmicas que serão usadas durante as oficinas, e também no Programa de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho, do MDS, conhecido como “Acessuas Trabalho”. Dá para imaginar a imensa possibilidade que se abre com essa parceria, no auxílio aos jovens na elaboração de currículos e também na descoberta de habilidades para que então possam escolher a profissão adequada. A juventude brasileira merece esse incentivo, com certeza, apesar da existência de alguns fatos que não colaboram para o atendimento pleno desse contingente de indivíduos, ávidos para entrar no mercado de trabalho. É de se lamentar, por exemplo, que o Brasil possua 175 empresas estatais, e a maioria não contrata jovem aprendiz e nem estagiário. Temos que mudar essa realidade.
 
O futuro do Brasil pertence aos jovens. Quanto a isso, não há menor dúvida. Vivemos um momento em que as redes sociais se destacam como um canal de debates, dando voz às mobilizações juvenis e procurando caminhos que levem à concretização de propostas e projetos que atendam às suas necessidades. O resultado de todo esse processo deve ser a implantação de políticas públicas focadas nesse segmento. São desafios que as novas gerações devem assumir, já que é preciso mudar, de forma concreta e urgente, o atual quadro político e econômico do país.
 
Temos que ficar atentos, pois os números atuais não são favoráveis: segundo dados do IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), referente ao ano de 2017, houve um aumento de 5,9% no número de jovens que não estudam e nem trabalham (ou seja: não se qualificam). É isso o que queremos para os nossos jovens?
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